sábado, 12 de fevereiro de 2011

Economia

IFM/Platex volta a laborar após processo de insolvência
A Indústria de Fibras de Madeira (IFM), em Tomar, que parou a produção em Abril de 2009, entrando depois em processo de insolvência, retomou a laboração no início do mês, com quase metade dos antigos 240 trabalhadores.
Gonçalo da Conceição, CEO do Grupo Investwood, responsável pelo plano de recuperação da empresa aprovado em Setembro último em assembleia de credores, disse à agência Lusa que a empresa recomeçou a laborar a semana passada em regime de quatro turnos, sete dias por semana, com uma das duas linhas de produção.
A empresa readmitiu 100 dos antigos funcionários, tendo 86 sido abrangidos pelo despedimento colectivo. Os restantes trabalhadores já tinham antes rescindido os seus contratos, disse à Lusa fonte sindical.
Gonçalo da Conceição afirmou que a empresa está a trabalhar com os antigos clientes, num esforço para recuperar o mercado perdido, “com o natural reforço no mercado externo, respondendo assim ao desafio colocado pelo Governo”.
A IFM/Platex exportava 60 por cento da sua produção, tendo suspendido a laboração em Abril de 2009 devido a falta de liquidez financeira.
Segundo o administrador da empresa, a expectativa é que as primeiras entregas possam ser feitas ainda no decurso deste mês.
O plano de recuperação apresentado pela Investwood “contemplou diversas iniciativas de âmbito financeiro, em particular o perdão da dívida por parte de fornecedores e restantes credores e a posterior recapitalização da empresa”, além do acordo para redução do número de trabalhadores, sublinhou.
Quanto às perspectivas da empresa para o presente ano, Gonçalo da Conceição afirmou que o esforço vai para o cumprimento do plano de negócios aprovado na assembleia de credores, “conscientes das muitas dificuldades, mas confiantes na equipa de trabalho”.
Além da IFM, o Grupo Investwood tem uma outra unidade em Famalicão da Nazaré, que atravessou igualmente algumas dificuldades, mas sem a gravidade da situação da empresa de Tomar.
Aquilino Coelho, do Sindicato dos Trabalhadores da Construção, Madeiras, Mármores e Cortiça do Sul, disse à Lusa que os valores acordados para as indemnizações a pagar aos 86 trabalhadores que saíram no âmbito de um despedimento colectivo foram liquidados, havendo ainda em litigio o valor dos subsídios e salários em atraso.
Segundo disse, a empresa pagou este valor de acordo com as contas do administrador da insolvência, quando a juíza aprovou em Setembro os valores apresentados pelo sindicato, aguardando-se uma decisão do tribunal sobre o requerimento entretanto apresentado em nome dos trabalhadores.
Considerando que o processo da IFM/Platex foi “exemplar a nível do país”, Aquilino Coelho afirmou que o regresso da actividade da empresa vai ser assinalado no próximo dia 26, numa sessão que contará com a presença do secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva.
“Foi uma luta que durou dois anos, em que os trabalhadores lutaram até ao fim pelos postos de trabalho e pelos seus direitos. Não se salvaram todos os postos de trabalho, mas 100 já é um bom sinal”, afirmou.
Na festa/convívio que se vai realizar numa colectividade de Paialvo, estarão presentes os actuais trabalhadores e aqueles que foram dispensados, adiantou.
*Lusa
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