sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Sociedade

Continua impasse nos Bombeiros do Entroncamento após demissão da Assembleia Geral e Conselho Fiscal
É uma das piores crises directivas que a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Entroncamento, está a atravessar desde a sua fundação. Após a demissão da Assembleia Geral e do Conselho Fiscal a meio do ano, “motivado por uma série de acontecimentos internos” a Direcção tem-se mantido em funções e convocou uma Assembleia Geral Extraordinária, que decorreu no Cine-Teatro São João na passada quinta-feira, onde compareceram cerca de uma centena de associados.
Era pretensão de Filipe Rato, Presidente da Direcção, esclarecer os associados do que se estava a passar e dar oportunidade aos opositores de expressarem as razões pelas quais puseram a circular um abaixo-assinado reivindicando a demissão da direcção. No entanto os opositores não se manifestaram e após cerca de três horas, o impasse manteve-se e nada foi decidido.
Terminada a Assembleia, os sócios presentes, em número superior ao que elegeu os corpos sociais da Associação, saíram ainda com mais duvidas do que quando entraram, já que lhes tinham prometido “uma intervenção do Presidente da Direcção, com vista ao global esclarecimento devidamente sustentado, de todos os actos de gestão desta direcção”.
Na reunião convocada, o Presidente da Direcção explicou o trabalho de reorganização que tem sido feito desde que os corpos sociais tomaram posse, em Fevereiro deste ano. A iniciativa foi despoletada por dois documentos anónimos, postos a circular, onde eram feitas diversas acusações à Direcção e nos quais era sugerida a sua demissão. “Digam-nos o que fizemos errado”, apelou Filipe Rato por várias vezes. Como nada foi apontado relativamente ao trabalho feito, acabou por dizer que a Direcção não se demite.
Na reunião de quinta-feira, o ex-presidente da Mesa da Assembleia, Rosa Pedro e o ex-presidente do conselho fiscal, Eduardo Martins, intervieram mas nenhum deles explicitou porque não se manteve em funções após as demissões, até serem eleitos os seus substitutos.
Filipe Rato, informou os sócios das medidas tomadas pela sua direcção que passaram fundamentalmente, por alterações na contabilidade, cobrança das quotas e facturação. Alterações que segundo o Presidente da Direcção permitiram maior transparência nas contas e maior capacidade de gestão e rentabilidade, o que já permitiu um aumento do volume de facturação em 35%.
Outro facto que Filipe Rato sublinhou foi em relação ao Comandante do Corpo de Bombeiros, residir em Abrantes, não lhe permitindo maior permanência no quartel, o que possibilitou, um “crescimento da indisciplina que levou a esta situação”.
O ex- Presidente da Mesa da Assembleia geral, Rosa Pedro, justificou a sua tomada de posição, com o “clima de tensão vivida e a falta de diálogo”, tendo abandonado a sala de seguida, o qual foi altamente criticado, nomeadamente por Levy Correia, que considerou ilegal a forma como Rosa Pedro se demitiu: “Não era ao presidente da Direcção que deveria ter apresentado a carta de demissão, mas sim ao vice-presidente, mantendo-se em funções até ser substituído. Da mesma forma o Conselho Fiscal deveria estar em funções apesar de demissionário”.
Faria da Silva, ex-vice presidente da mesa da Assembleia relatou as tentativas de resolução do problema e lamentou o facto, “daqueles que estão contra a direcção não terem falado e terem entretanto saído”.
Eduardo Martins ex- Presidente do Conselho Fiscal, também falou justificando a sua demissão “pelo atraso na apresentação das contas por parte da Direcção”, acusando-a de lhe dificultar o trabalho.
João Vilar, apresentou uma proposta no sentido do Presidente da Direcção colocar à Assembleia uma "Moção de Confiança", mas Filipe Rato entendeu não o fazer, prometendo inclusivamente continuar a trabalhar.
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