sábado, 27 de setembro de 2008

Cultura Popular



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Imagem: A.Anacleto

Mais uma vez, fizemos reportagem na simpática aldeia da Barrenta, na freguesia de Alvados, concelho de Porto de Mós.
Pela sétima vez, os cerca de cinquenta habitantes, daquela pacata aldeia serrana inserida no Parque Natural das Serras Aire e Candeeiros, acolheram hoje de braços abertos, os milhares de forasteiros que ali acorreram, para assistirem ao VII Encontro Nacional de Tocadores de Concertinas.
Viajaram de vários cantos do país cerca de cento e vinte instrumentistas, que deslumbraram a enorme assistência com acordes e cantes da música popular portuguesa.
Surpreendeu-nos o elevado número de jovens a executarem com elevada mestria estes instrumentos musicais de cariz popular.
De França, veio o Trio Lopes, um grupo de emigrantes que fizeram furor com o reportório apresentado.
Em suma, música popular, alegria, convívio, animação e boa gastronomia, marcaram presença em terras de Serra D´Aire.
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A. Anacleto

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Baú de Memórias...

Fui ao baú das minhas memórias e encontrei!...

…foi na cidade “tripeira”, cidade de boa gente, que passei uma noite de S. João. Era uma imensidão de povo ordeiro que festejava o “seu santo”. Era o batuque dos martelinhos, o cheiro da alcachofra e da sardinha assada, o som da música popular, o “pé de dança” e a troca de olhares com as meninas “vaidosas” nos bailes populares nas ruelas da cidade!...
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in "Meio Século de Vida" - Memórias
A. Anacleto

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Taxas Municipais

Concelho de Alcanena vai ter as mesmas taxas de IMI e derrama em 2009

O executivo da Câmara Municipal de Alcanena deliberou na passada segunda-feira, as taxas de IMI – Imposto Municipal sobre Imóveis e derrama para o próximo ano de 2009. Seguindo a política do presente ano, a derrama fixar-se-á em 1,5 por cento sobre o volume de negócios tributável das empresas do concelho, com excepção dos empresários com volume de negócios até 150 mil euros. O IMI mantém as taxas de 0,7 por cento para os imóveis não avaliados e de 0,4 por cento no caso dos imóveis avaliados ao abrigo do código de IMI.
O executivo camarário, decidiu ainda sobre a participação variável do município no IRS – a receber em 2010, que será de 4 %.
Todas as deliberações foram votadas por unanimidade.
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A. Anacleto

História


Caminhos-de-Ferro

A partir do ano de 1840 começou a falar-se de comboios no nosso País. Alguns não acreditavam que seria possível a existência de comboios no “cantinho à beira mar plantado”!
Mas havia expectativas à volta dos mesmos, baseado nas descrições jornalísticas da época sobre o desenvolvimento ferroviário no estrangeiro.
Com coragem, Fontes Pereira de Melo, que era Primeiro-ministro das Obras Públicas, iniciou o lançamento da rede ferroviária nacional, à base de empréstimos de capital estrangeiro, creditando-se que viria a ser pagos pelo enriquecimento do País.
Em 28 de Outubro de 1856, no reinado de D.Pedro V, foi solene e festivamente inaugurado o primeiro troço da rede ferroviária nacional entre Lisboa e o Carregado, demorando sessenta e cinco anos a conclusão da rede.
A linha da Beira Baixa foi inaugurada no dia 06 de Setembro de 1891, pelo Rei D. Carlos e pela Rainha D. Amélia, a qual permitiu enormemente para o desenvolvimento industrial e comercial da região.
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A. Anacleto

domingo, 21 de setembro de 2008

Roteiros



Imagem: A. Anacleto
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Visitámos o certame “XII Festival da Enguia”, que se realizou este fim-de-semana no lugar de Boquilobo, na freguesia de Brogueira – concelho de Torres Novas.
Apesar da crise, notava-se alguma afluência de público aos vários restaurantes existentes naquele lugar, para saborear este saboroso peixe de água doce.
Diz o povo: é sempre bom “juntar o útil ao agradável”. Foi o que fizemos. Depois de visitar o certame, no qual marcava também presença o artesanato e alguma animação com Ranchos Folclóricos e Filarmónicas da região, aproveitámos para visitar a Casa Memorial do General Humberto Delgado.
Encontrámos lá vários elementos importantes da vida e da luta do “General Sem Medo”. Se ainda não visitou, sugerimos uma vista a esta casa cultural!
A. Anacleto
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HUMBERTO DELGADO – o General Sem Medo
Humberto da Silva Delgado nasceu em Boquilobo freguesia de Brogueira, Torres Novas a 15 de Maio de 1906 e faleceu em Villanueva del Fresno,« - Espanha a 13 de fevereiro de 1965 foi um militar português da Força Aérea que corporizou o principal movimento de tentativa de derrube da ditadura salazarista através de eleições, tendo contudo sido derrotado nas urnas, num processo eleitoral que deu a vitória ao candidato do regime ditatorial vigente, Américo Tomás.
Frequentou o Colégio Militar, cujo curso concluiu em 1922. Em 1925 entrou na Escola Prática de Artilharia, de Vendas Novas. Participou no movimento militar de 28 de Maio de 1926, que derrubou a República liberal e implantou em Portugal a Ditadura Militar que, poucos anos mais tarde, em 1933, iria dar lugar ao Estado Novo liderado por Salazar. Durante muitos anos apoiou as posições oficiais do regime salazarista, particularmente o seu anticomunismo. A sua atitude política favorável ao regime e as qualificações técnicas obtidas nos Estados Unidos levam-no a ascender rapidamente na escala hierárquica (será o general mais jovem da Força Aérea, ascendendo a este posto com apenas 47 anos) e a ocupar posições de destaque.
Foi procurador da Câmara Corporativa entre 1951 e 1952. Representou Portugal nos acordos secretos com o Governo Inglês sobre a instalação das Bases Aliadas nos Açores. Apesar de ser originalmente conotado com as franjas ultras do regime (ultra apoiante ao regime, conservador), a partir da década de 1950 e após ter sido preterido por Salazar para um importante cargo que ambicionava (Salazar procurou compensá-lo nomeando-o Chefe da Missão Militar Portuguesa a Washington, de 1952 a 1957), passou a defender o ideal democrático e participou activamente na oposição.
Participou nas eleições presidenciais de 1958, contra o almirante Américo Tomás (apoiado por Salazar), reunindo em torno da sua candidatura toda a oposição ao regime. Numa famosa entrevista realizada pelo jornalista Mário Neves em 10 de Maio de 1958 no café Chave de Ouro, quando lhe foi perguntado que postura tomaria face ao primeiro-ministro (Presidente do Conselho dos Ministros) António de Oliveira Salazar, respondeu com a célebre frase “obviamente, demito-o”, que ainda hoje é frequentemente citada na política portuguesa em diversos contextos e variações. Foi a frase de declaração de guerra ao regime. Devido à sua coragem de dizer em público palavras pouco respeitosas e agressivas para o regime e para Salazar, ele foi cognominado ora de “General sem Medo” ora de “General sem Juízo”. Esta frase célebre incendiou os espíritos das pessoas oprimidas pelo regime salazarista que o apoiaram e o aclamaram durante a campanha (com particular destaque para a entusiástica recepção popular no Porto).
Nas eleições presidenciais de 1958 acabou por ser derrotado graças à gigantesca fraude eleitoral montada pelo regime.
Em 1959, na sequência da derrota, vítima de represálias por parte da polícia política, pede asilo político na Embaixada do Brasil, seguindo depois para o exílio na Argélia.
Convencido de que o regime não poderá ser derrubado pelos meios pacíficos procura atrair as chefias militares para um golpe de Estado. Este golpe foi por fim executado em 1962 e planeou tomar de assalto o quartel de Beja e outras posições estratégicas e importantes de Portugal. A revolta fracassou.
Desiludido com os sucessivos fracassos procura reconciliar-se com Salazar, que por fim o convoca. Ao seu encontro, na fronteira Espanhola em Villanueva del Fresno (Espanha, nos arredores de Olivença), é enviado um comando da PIDE, liderado por Rosa Casaco que o assassinou a tiro, bem como à sua secretária. Morre assim na fronteira, sem ter conseguido regressar a Portugal, no dia 13 de Fevereiro de 1965.
Em 1990 foi nomeado Marechal da Força Aérea. O seu corpo está, agora, no Panteão Nacional.
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in Wikipédia

Artistas



Imagem: A. Anacleto
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Fizemos uma visita ao Cine Teatro S. Pedro em Alcanena, onde está a decorrer uma exposição do escultor João Carvalho.
Ficámos fascinados com a exposição de arte daquele autor, baseado em peles curtidas, que demonstram de facto um “Nu Eterno” de imaginação profunda.
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JOÃO CARVALHO
João Carvalho nasceu na cidade de Torres Novas, em 1962. É neto de Luís Pereira, um pintor retratista desconhecido, descendendo de uma contínua linhagem de familiares com fortes veias artística, pelo lado materno.
Adquiriu o gosto e o conhecimento pelas peles curtidas por parte avô e do pai, revelando-se um verdadeiro entendido na matéria. Mais tarde, em 1983, decidiu obter formação como técnico de curtumes, na Alemanha. Paralelamente à sua longa experiência técnica nas peles curtidas, João Carvalho passa a criar, as suas extraordinárias obras esculturais com o - “Nu Eterno”.
Já realizou exposições no Europarque, em Santa Maria da Feira (2006), Espaço Fatimae, em Fátima (2006), Museu de História Natural, Lisboa (2007), e Centro Náutico, em Constância (2008), João Carvalho apresenta-se na Galeria de Exposições do Cine-Teatro São Pedro, em Alcanena.
A exposição estará patente ao público até 26 de Outubro, de terça a domingo, no horário das 14:00h às 20:00h, e entre as 11:00h e as 21:30h, nos dias de espectáculos.
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A. Anacleto

Artistas


Eugénia Lima

Nasceu na cidade albicastrense de Castelo Branco em Abril de 1926. Reside à vários anos no concelho de Rio Maior.
É diplomada com o Curso Superior de Acordeão na categoria de Professora pelo Conservatório de Acordeão de Paris.
Foi no Teatro Vaz Preto, em Castelo Branco, aos quatro anos de idade que fez a primeira actuação. Pela qualidade da arte do tocar o acordeão valeu-lhe o epíteto de "Miúda de Castelo Branco".
No teatro de revista, estreou-se no Teatro Variedades na revista "Peixe Espada".
Actuou em Portugal de lés-a-lés, inclusivé no Ribatejo onde sempre foi bem acarinhada.
No estrangeiro, fez digressões pela Europa, África e América.
Em décadas remotas, era assídua na televisão portuguesa a realizar espectáculos. Passou também por diversas televisões estrangeiras.
Escreveu melodias para vários artistas consagrados. Tem vários discos gravados.
Foi uma das fundadoras da "Orquestra Típica Albicastrense".
O seu nome figura no Dicionário Mundial de Mulheres Notáveis de Américo Lopes de Oliveira e Mário Gonçalves Viana.
É Cooperadora da SPA desde Maio de 1977.
Distinções/Prémios
. 1º lugar no Concurso de Acordeonistas, Emissora Nacional, 1947.
. "Óscar da Imprensa" para a melhor solista de música ligeira, 1962.
. Inúmeras medalhas, placas e diplomas atribuídas por entidades portuguesas e estrangeiras.
. Grau de "Dama da Ordem Militar de Santiago da Espada", 1980.
. Diploma Honorífico atribuído pela União Nacional dos Acordeonistas de França, 1984.
. Condecorada com a Medalha de Mérito Cultural, 1986.
. Grau de "Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique", 1995.
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Pesquisa: A. Anacleto

sábado, 20 de setembro de 2008

Ainda Há Homens!...






Reforma
Eanes prescinde de um milhão de euros

Ramalho Eanes prescindiu dos retroactivos a que tinha direito relativos à reforma como general, que nunca recebeu. O Governo diz ter sondado o ex-Presidente, que não aceitou auferir essa quantia (a qual ascenderia a mais de um milhão de euros). A reforma só começou a ser paga em Julho, mas sem qualquer indemnização relativa ao passado.
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in Revista “Sol” – online 13.09.08 - Helena Pereira e Manuel A. Magalhães

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Artistas

Zulmira Bento expõe no átrio do hospital de Torres Novas

No átrio principal do hospital de Torres Novas, está patente, uma exposição de pintura de Zulmira Bento.
Natural da Vila de Minde - Alcanena, a artista incide principalmente trabalhos de pintura sobretudo retratos a óleo sobre tela.
Autodidacta, pinta há cerca do 30 anos. Tem procurado ao longo dos tempos evoluir por sua conta, no entanto também tem frequentado alguns cursos de pintura.
A artista já participou em diversas exposições, com destaque na cidade de Coimbra, tendo esta sido promovida pelo Movimento Artístico de Coimbra e pela Associação de Solidariedade Social dos Professores. Na sede do seu concelho – Alcanena, também já expôs na Galeria de Arte da Casa Municipal da Cultura em Junho de 2004. Os trabalhos estarão patentes até ao dia 1 de Outubro.
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A. Anacleto

Vida Desportiva Ribatejana

ALEX VIEIRA – Português de Ourém um campeão do mundo de motos

Mesmo com os franceses a levarem anos e anos, a chamarem-lhe um dos seus, adiantando apenas que se tratava de um produto “made in France””, embora de origem portuguesa, com outros, a definirem-no ainda, como um cidadão cem por cento gaulês, Alércio Vieira conhecido no mundo do motociclismo como ALEX VIEIRA, jamais renegou a sua condição de português, nada e criado nos arredores de Vila Nova de Ourém, até à altura que seus pais decidiram partir para Paris, aí tentando iniciar uma nova vida.
Isso mesmo e muito mais, diria Alex Vieira, ao diário desportivo “Record”, em 23 de Abril de 1995, ao referir ao jornalista Paulo Quental “sou português”, não estou naturalizado francês, mas a minha vida é toda feita aqui…

Excerto do livro “Ribatejo – Terra de Campeões” – Carlos Arsénio

Biografia:
Nome: ALÉRCIO da Silva VIEIRA
Nasceu: 14.12.1956 – Vila Nova de Ourém
Modalidade: Motociclismo

Palmarés:
Tendo triunfado em várias provas de motociclismo no mundo, destacamos:
* Campeão do Mundo de Resistência em 1989, 1990 e 1991;
* Vice-Campeão do Mundo de Resistência em 1986;
* Vencedor das “24 Horas de Le Mans” em 1986, 1987, 1989, 1990 e 1995;
* 2º Classificado nas “24 Horas de Le Mans” em 1994;
* Vencedor dos “100 Km de Jerez” em 1986;
* Vencedor dos “100 Km de Hockenheim” em 1986;
* Vencedor da “Taça FM de Resistência” em 1989;
* Vencedor da Prova “Bol d´Or” em 1989
* Vencedor das “8 Horas de Suzuka e Liege” em 1989;
* Vencedor do Campeonato de França de Produção;:
* Vencedor do Mundial de Superbikes, na Áustria em 1989,

in livro “Ribatejo – Terra de Campeões”
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A. Anacleto

Músicos Ribatejanos

O MÚSICO “XAREPA” VAI COMEMORAR 40 ANOS DE CARREIRA

”No dia em que deixar de sentir prazer em tocar, deixo a música”, disse “Xarepa” em entrevista ao Jornal Torrejano.
A música ajudava – na juventude – a atrair namoradas?
A nossa geração é muito diferente da geração de hoje. Lembro-me de uma festa onde fomos tocar, em que estavam muitas miúdas com o cartaz do concerto e já tinham escolhido entre os músicos, com quem queriam namorar. Antigamente os grupos eram muito bem vistos. Não havia local onde fôssemos que não éramos recebidos com foguetes. Era uma novidade, não é como hoje que há televisão, videos, etc.
(Excerto da entrevista)

Clik aqui para ler a entrevista na íntegra...

A. Anacleto

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Vida Desportiva Ribatejana

Temos vindo a ler o livro recentemente publicado, “Ribatejo – Terra de Campeões”, da autoria de Carlos Arsénio.
Verificamos, que foi um longo trabalho de pesquisa daquele jornalista, para a elaboração desta obra literária da vida desportiva ribatejana ao longo de várias décadas.
No entanto, em nossa opinião, existem várias lacunas, com falta de referências sobre algumas figuras ribatejanos que sobressaíram no desporto nacional. Refiro-me a casos de meu conhecimento referente ao concelho de Alcanena.
Estamos conscientes, que em tudo na vida são difíceis as perfeições. Louvo o trabalho deste jornalista pela elaboração desta enorme obra e, decerto, se um dia surgir uma nova versão, as faltas serão referenciados.
A. Anacleto
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JOSÉ MENDES
Natural de Alcanena, onde poucos se recordam das suas proezas, José Mendes, então atleta do Centro Desportivo Universitário do Porto, o prestigioso CDUP, fica com o seu nome muito directamente ligado a uma presença nos Jogos Olímpicos, facto sempre de assinalar…
…para o velocista olímpico natural de Alcanena, mas, desde cedo, radicado no Porto, para além dos êxitos desportivos, muitos deles conseguidos, depois de Barcelona, em provas disputadas em pista coberta, o grande sonho de se tornar arquitecto, viria mesmo a concretizar-se…

- Nome: JOSÉ Paulo de Almeida MENDES
- Nasceu: 13.04.1972, em Alcanena
- Modalidade: Atletismo
- CLUBE: Centro Desportivo Universitário do Porto (CDUP)
- Palmarés:
* 4 Vezes campeão nacional;
* Campeão Nacional de nos 400 m (1990 e 1993);
* Campeão Nacional na estafeta 4x100m (1993)
* Campeão Nacional na estafeta 4x400m
* 3 Títulos de campeão nacional nos 400m;
* Participou nos Jogos Olímpicos de Barcelona (1992), na estafeta de 4x400m, com Pedro Corvelo, Álvaro Silva e Pedro Rodrigues, onde Portugal se classificou em 18º lugar, entre 24 concorrentes.
* Internacionalizações: 6

Excertos do livro “Ribatejo – Terra de Campeões” – Carlos Arsénio

Coluna Literária...

“A SERRA LILÁS”

Era uma serra diferente. Não se podia olhar para ela e dizer “que lindos montes” ou “está tudo verdinho”ou ainda “está branca de neve” ou então “tem tantas flores-cores…” Olhando em volta e ao percorrer os caminhos das cabras, quer se subisse em direcção ao céu, quer se descesse até avistar o mar, tudo era pedra recortada, cheiinha de buracos-olhos de onde saíam tufos de alecrim.

Excerto do livro “A Serra Lilás” da autora Maria de Lourdes Soares
Trabalho literário dedicado ao Parque Natural das Serras D´Aire e Candeeiros.
A. Anacleto

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Grande Reportagem - SIC

Amanhã, quarta-feira, a SIC vai transmitir na "Grande Reportagem" a seguir ao Jornal da Noite um trabalho alargado sobre o trabalho científico de ELVIRA FORTUNATO.

Clik aqui

A. Anacleto

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Vida Literária...



Imagem: A. Anacleto
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“RIBATEJO – TERRA DE CAMPEÕES”

“Este livro é um marco histórico relativo ao desporto do Ribatejo” – Escreveu o Dr. António Gentil Martins no Prefácio do livro “Ribatejo – Terra de Campeões” da autoria do Jornalista Carlos Arsénio, numa edição de “Edições Cosmos”.
Este livro é uma obra de pesquisa que o autor realizou no “seu” Ribatejo durante cerca de quatro anos. A obra com cerca de cerca de oitocentas e trinta páginas, retrata os atletas ribatejanos que mais se destacaram no desporto nacional e internacional, nas várias modalidades desportivas desde o ano de 1892 até aos tempos actuais.
O acto solene de lançamento, realizou-se hoje ao fim da tarde no salão nobre do Governo Civil de Santarém. Além do governador, estiveram presentes vários convidados, entre os quais várias entidades oficiais do distrito, autarcas, dirigentes desportivos e grande número de amigos do autor.
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Carlos Arsénio

Nasceu na vila da Golegã no ano de 1936 tendo iniciado a carreira na Comunicação Social em 1960. Passou pelo "Rádio Clube Português" e depois na "Rádio Renascença". Mais tarde, passou a integrar vários jornais nomeadamente pelo "Diário Popular", "Gazeta dos Desportos", "Benfica Ilustrado","Diário de Lourenço Marques", Século de Joanesburgo", "A Meta", "Bancada","Equipa", "O Benfica" e o "Record".
Foi distinguido com inúmeros prémios desportivos, tem uma quota-parte da sua vida dedicada ao estudo dos problemas da arbitragem, o que o levou a participar em dezenas de conferências e colóquios temáticos. Em 2005 foi distinguido pelo Governo, com a Medalha de Mérito Desportivo.

A. Anacleto

domingo, 14 de setembro de 2008

Gentes e Locais...



Imagem: A. Anacleto

Marcámos presença nas Festas Anuais da Gançaria.Desde o passado dia 8, que a animação tem sido forte nas festas anuais desta freguesia ribatejana. Ontem à noite, houve forte animação com a artista Ana Malhoa em palco.
Hoje, último dia dos festejos, durante a tarde desfilaram e exibiram-se no palco principal os Ranchos Folclóricos da Benedita e de Viegas.
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FREGUESIA DE GANÇARIA

Esta freguesia do concelho de Santarém, é limitada por Alcobertas, Fráguas do Concelho de Rio Maior e Alcanede.
Gançaria é a freguesia mais jovem do concelho de Santarém, criada em Junho de 1985 por desanexação da freguesia de Alcanede.
Tem uma área de 4,730 Km2, uma grande parte desta área é constituída por floresta de pinheiros e eucaliptos.
Tem uma população cerca de 600 habitantes, distando da sede do concelho (Santarém), 32 Km.
A agricultura, a pecuária, a indústria de transformação de madeiras, a indústria extractiva de caulinos e a cerâmica, desempenham, em termos económicos um papel importante na ocupação das gentes desta freguesia.
Tem tradição desde há duzentos e cinquenta anos a romaria em honra de Nossa Senhora da Saúde. Continua a ser visitada por milhares de devotos de todo o país, que ali acorrem em veneração a esta santa. Esta romaria é celebrada anualmente no dia 8 de Setembro.
A. Anacleto

sábado, 13 de setembro de 2008

Novo Livro

“Ribatejo - Terra de Campeões” - Livro do Jornalista Carlos Arsénio
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Na próxima 2ª feira, dia 15.09.08, pelas 18h30m, no Salão Nobre do Governo Civil de Santarém, será lançado o livro “Ribatejo – Terra de Campeões”, da autoria do Jornalista Carlos Arsénio, sob a chancela das Edições Cosmos.
Desta forma este jornalista quis prestar uma homenagem aos atletas e agentes desportivos que se salientaram no Ribatejo durante décadas.. Ao longo de 850 páginas o jornalista Carlos Arsénio retrata os feitos dos atletas ribatejanos até aos nossos dias.
Carlos Arsénio, foi jornalista do Jornal Record várias décadas, chegando a integrar a chefia de redacção deste jornal. Profundo conhecedor do fenómeno desportivo, que acompanhou de perto ao longo de muitos anos. Também como enviado-especial de Record, realizou várias coberturas de grandiosos eventos internacionais.
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A. Anacleto

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Gentes e Locais...

A CIENTISTA QUE TRANSFORMOU VIDROS DE JANELAS EM ECRÃS TFT

Elvira Fortunato passou do anonimato a figura pública após ganhar um prémio europeu em engenharia, atribuído pelo Conselho Europeu de Investigação. A cientista, natural de Almada mas com raízes familiares na Louriceira (Alcanena), entrou assim para o top 5 dos melhores cientistas do mundo em electrónica transparente.


COUVES DE ALMADA PARA PASSAR O NATAL NA LOURICEIRA
Como recorda os seus tempos na Louriceira?

Os meus pais são naturais da Louriceira mas foram cedo para Almada, onde eu nasci. Nunca cá vivi mas passei sempre as férias aqui na Louriceira até aos meus tempos de universidade. Recordo que costumava andar de festa em festa com a minha tia, que gostava de passear com as minhas amigas aqui da terra, de andar aqui pelos matos e de tomar banho no Alviela.

Costuma visitar a nossa região?

Regra geral fico por aqui, pela casa dos meus pais na Louriceira, não faço grandes roteiros.
Gosto de ir almoçar aqui a algum restaurante da região, como foi o caso do Tia Alice em Fátima desta vez, ou do Malho no Malhou onde vou com alguma frequência. Gosto também muito de ir a Santarém.
Habitualmente venho cá também na época da apanha da azeitona para acompanhar os trabalhos nas propriedades dos meus pais.

Também gosta de cultivar legumes no seu quintal: como lhe sobra tempo para isso?

Temos um jardineiro que cuida disso. Mas o meu marido é que é o entusiasta. Ele gosta muito de produtos cultivados lá na horta. Gostávamos de ter mais coisas mas saímos muito em conferências internacionais e as coisas acabam por se estragar. Costumámos até trazer couves para o Natal que passamos na Louriceira com a família.
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in Jornal “O Ribatejo” edic. De 12.09.08 (excertos) – Trabalho do Jornalista Bruno Oliveira

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Meio Ambiente

Praia dos Olhos de Água com vestígios de contaminação!

Há cerca de dois meses que as análises realizadas na nascente do Alviela, têm demonstrado a existência de alguns resíduos desconhecidos na água que serve a praia fluvial dos Olhos de Água na freguesia de Louriceira - concelho de Alcanena. A notícia foi avançada pelo Presidente da Câmara Municipal - Luís Azevedo, , durante a última reunião camarária, ontem segunda-feira.
O assunto está entregue ao INAG – Instituto Nacional da Água.
Esta Praia, está interdita desde o último tornado em Maio que assolou a região.
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A. Anacleto

in "Justiça Social"...

Mais 207 reformas milionárias
Dois funcionários dos CTT contam com valores mais altos


O número de beneficiários da Caixa Geral de Aposentações (CGA) com reformas mensais superiores a quatro mil euros, o escalão mais alto para os trabalhadores ligados à Administração Pública, está a revelar um ritmo de crescimento imparável: só entre Janeiro e Outubro deste ano reformaram-se 207 funcionários do Estado com pensões «douradas».

Entre os novos reformados milionários contam-se, a partir de Outubro, João Pedro Barros, Simoneta Luz Afonso e Alfredo Bruto da Costa, presidente do Institututo Politécnico de Viseu, do Instituto Camões e do Conselho Económico e Social, respectivamente, avança o «Correio da Manhã».

Ao todo, segundo os dados da CGA, desde 1997 o universo de indivíduos com reformas superiores a quatro mil euros já aumentou 640%, uma média de 358 novos reformados milionários por ano.

CTT lideram salários mais altos

O valor mais alto das reformas não foi atribuído a magistrados ou professores, como é habitual, mas funcionários dos CTT: Francisco Viegas, inspector-geral, vai receber a partir de Outubro uma pensão mensal de 8.093 euros e Elídeo Abreu, especialista em organização receberá uma reforma de 6.109 euros.
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in Jornal Portugal Diário – edic online 09.08.08

Pois é!...após tanta “propaganda” de justiça social, o sistema continua na mesma…com a mesma injustiça social…!
A. Anacleto

Meio Ambiente

A MALIGNIDADE CONTINUA!...

Centenas de peixes agonizam e morrem no Alviela!...

O Presidente da Junta de Freguesia de Vaqueiros denunciou esta segunda-feira que apareceram centenas de peixes mortos no rio Alviela.

Firmino Oliveira, disse à Agência Lusa, que a situação se verificou ao princípio da tarde, altura em que centenas de peixes, alguns deles com elevado peso, começaram a aparecer dando sinais de agonia por falta de oxigénio.

Segundo explicou à agência noticiosa, tudo indica que houve mais uma descarga, que atribui à estação de tratamento de águas residuais de Alcanena, uma vez que «não há pecuárias a montante da freguesia e o forte cheiro que se sente é a crómio».

Mais frisou Firmino Oliveira que os moradores da zona do Moseiro começaram a sentir «um forte cheiro» de manhã, tendo começado a aparecer, ao princípio da tarde, peixes em angústia. «É um inferno assistir a este agonizar dos peixes», afirmou.

No local estiveram dois elementos dos serviços da protecção da natureza da GNR.

Recordamos que no passado Domingo, o “Diabo”, grande defensor do Rio Alviela até finais da década de oitenta, foi homenageado pela C.M. de Santarém, com reconhecimento pela heróica luta travada em prol da defesa do rio.
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A. Anacleto

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Espaço Poético...

A SETA DO TEMPO

é sempre nas madrugadas que arrefece
na deriva das carícias em pedaços
nesse halo que ainda resplandece
nos relâmpagos finais do desenlace

permanece um feitiço flutuante
na frequência luminosa dos sentidos
fascínio de neutrinos despendidos
na singularidade nua dos amantes

o tempo num tiquetaque bífido
rasteja na incerteza das manhãs
e o sol que aqui nasce e morre ali
decai num torpor insípido

move-se brandamente a realidade
nos quarks represados do sentir
escoa-se dos corpos colapsados
a radiação de fundo do prazer
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Do livro “Caosmologia” de Mário Rui Silvestre
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Mário Rui Silvestre, nasceu na vila de Pernes, concelho de Santarém. Desde 1994 tem publicado vários livros entre aos quais um dedicado ao rio Alviela – “Alviela, do Rio à Margem”.
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A. Anacleto

domingo, 7 de setembro de 2008

Coluna Literária...

Estrela – Terra-Mãe

…à minha frente, vales desvairados de mil cores, numa primavera que irrompe por socalcos de pinheiros, arbustos rasteiros e uma música leve que os agita num infinito de tempos e espaços de serenidade sem fim.

Afasto as nuvens, procuro o azul do céu, e, no castanho húmido das montanhas, a floresta densa do zimbro verde, escuro, estendida pelas paredes geométricas do teu corpo, pleno de frio invernio que orla o meu desejo por ti.

Brancas montanhas, de brancos contidos nos covões da tua vitalidade, neves perenes salpicadas do negro dos teus vales profundos, absintos verdes que me levam ao teu tempo escasso, retraído pelos ventos do preconceito do amor…

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Excerto do livro “Este Zimbro que nos aquece a Alma” da autoria de Artur Aleixo
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A. Anacleto

Concerto...



Imagens: A. Anacleto
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Largo do Rossio, na Vila de Pernes, foi palco de espectáculo de qualidade! …

Fernando Tordo aos sessenta anos, brilhou em Pernes com um concerto de elevada qualidade.
Acompanhado pela Stardust Orchestra, que conta com 24 músicos e sob a direcção artística do Maestro Pedro Duarte, Fernando Tordo realizou um espectáculo de quase duas horas para uma elevada assistência que marcou presença na noite de ontem no Largo do Rossio em Pernes.
Escutámos excelentes temas daquele artista, que está a comemorar o 44º aniversário de carreira artística. Fernando Tordo, cantou entre outros, os temas “Lisboa de Feira”, “Tourada”, “Adeus tristeza” e “Só ficou o amor por ti”, melodias, que encantaram a assistência.
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A. Anacleto

O "Diabo" foi Homenageado



Imagens: A. Anacleto
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O “Diabo” tem Busto junto à sua habitação e ao Rio Alviela…

Ontem, na Vila de Pernes, Francisco Moita Flores, Presidente da Câmara Municipal de Santarém, entregou a título póstumo à esposa de Joaquim Jorge Duarte o “Diabo”, a medalha de ouro da Edilidade Scalabitana.
Simultaneamente, foi descerrado um busto em homenagem ao homem, ao democrata e ao lutador, num local junto à sua habitação e ao rio, onde durante várias décadas, o “Diabo” travou heróicamente lutas em prol da defesa do meio ambiente.
Estiveram presentes além de muitos amigos do Joaquim Duarte, a esposa e outros familiares, vários autarcas e antigos companheiros que passaram pelas direcções da CLAPA – Comissão de Luta Anti Poluição do Alviela.
Joaquim Jorge Duarte, morreu em 1991. Foi um grande defensor pela defesa dos valores da democracia, da cidadania e da natureza até ao final da década de oitenta do século passado.
Em 1957, o “Diabo” teve a ousadia de organizar um abaixo-assinado dirigido a Salazar. Mais tarde, em Janeiro de 1970, recolheu amostras da água do Alviela em garrafões e com enorme coragem, levou-os à Assembleia Nacional, para os políticos de então, se certificarem do grau elevadíssimo de poluição naquele rio.
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A. Anacleto

Nota:
Pode ver um vídeo realizado pelo canal de televisão TV4Semanas - Santarém, através do site:
http://www.tv4semanas.com/

sábado, 6 de setembro de 2008

Coluna de Opinião

Transcrevemos na íntegra, mais um artigo de opinião do Escritor e Jornalista Baptista Bastos, publicado no Jornal de Negócios em 05.09.08.
A. Anacleto
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Fábricas de ociosos inúteis

Dificilmente acreditamos no discurso político. Esvaziados de ideologia (com excepção do PCP), desprovidos de convicções, reeditando o rotativismo suicida do século XIX, o PSD e o PS não são carne, nem peixe, nem arenque vermelho: apenas uma teia reticular de interesses e de cumplicidades. Conduziram-nos até ao nojo da política. Secaram as mais módicas assunções de civismo.

Serviram de péssimo exemplo aos mais novos. Aqueles sinistros agrupamentos de "jotas" mais não são do que máquinas de produzir inutilidades. Repare-se nos trajectos de antigos dirigentes "juvenis" de ambos os partidos. A canseira que acumulámos é proporcional ao exercício do ócio praticado por aquela gente.

É natural que desconfiemos de tudo e de todos, no que se refere a política. Os exemplos são propícios a duvidar da virtude. O recente caso de Paulo Portas, que ocultou, durante um ano, o pedido de demissão do seu vice, Luís Nobre Guedes, e o silêncio deste sobre o assunto, é significativo. Aliás, parece que o silêncio se tornou a regra da arte. Sócrates emudece quando se trata de esclarecer as origens da onda de violência que varre o País. Manuela Ferreira Leite reserva, para o próximo domingo, dia do encerramento, em Castelo de Vide, da Universidade de Verão do PSD a revelação da excelsa grandeza das suas ideias. A pátria, expectante e a arquejar, está de joelhos. Até lá, até se chegar a esse domingo luminoso, em que a verdade fundamental será dita como um sacramento, os cem jovens inscritos nos "cursos", terão de se contentar com aqueles graves senhores que lhes falam das venturas do porvir, consubstanciadas na admirável "social-democracia" do estimável partido. Na falta do gracioso intermezzo que lhes seria certamente proporcionado pelo alto sentido de humor do prof. Marcelo, escutarão, com embevecido assombro, o verbo eloquente do imenso socialista António Vitorino, que não está ali por engano.

O panorama permite-nos admitir que estamos perante uma cegada. A própria "estratégia do silêncio", da dr.ª Manuela Ferreira Leite, configura uma situação mais próxima do folclore que se censura do que da reflexão que se reclama. Naturalmente, há casos de escrúpulo e de pudor. Não os encontro na política. Mas conheço alguns em literatura, embora raríssimos, seja dito. A verdade, no caso vertente, é que a mudez da chefe do PSD devia ser correspondida pelo seu "staff." Sucede, rigorosamente, o contrário: os que têm falado só têm dito disparates e tolejos. A ideia de que o pensamento recatado é uma demonstração de seriedade, não conduz a parte alguma. A política, enquanto tal, é o exercício da relação com o outro, e, em princípio, a prática de um diálogo só interrompido pela arrogância – ou pela fragilidade, aliás, o esconderijo da arrogância.

A chamada "reentrada" nada traz de novo. Exactamente porque os partidos de poder deixaram de se comprometer com os problemas do nosso tempo. Os outros, retomam a interpretação partidária, por vezes engraçada e maliciosa, outras, repetitivas sobre o problema da relação entre fins e meios na política. Não há debate, não há polémica, não há empenhamento no uso de uma doutrina, de um projecto, de uma dinâmica. O mundo mudou e as chamadas "sociedades modernas" ainda não encontraram resposta. O neoliberalismo não encontra resistência, nem crítica, nem sistema de ideias que, pelo menos, o conteste com seriedade e lucidez. As reacções são meramente emocionais, quando não provocam o mais sonoro dos bocejos.

O aparecimento de uns vagos preopinantes de Direita pareceu, inicialmente, possibilitar uma interessante agitação. Tudo se resume a uma espécie de comentário jocoso, pouco original, inspirado no estilo de Vasco Pulido Valente, com pequenas e grotescas citações de autores anglosaxónicos. A diferença é que Pulido leu e lê, está atento à lazeira da pátria, e as suas grandes referências intelectuais encontram-se no chão cultural do século XIX português. O homem é um chato, um enfadado, há quarenta e tal anos que assim é. Porém, é um prosador de recorte, sobretudo quando é injusto na apreciação, o que, curiosamente, o torna mais atractivo, por mordaz. Todavia, até ele, neste momento, me parece um pouco fatigante, pela não oculta tendência em defender o indefensável: a dr.ª Manuela Ferreira Leite.

Nada nos encaminha para o júbilo. Tudo nos empurra para o desencanto. E, no entanto, é preciso acreditar que as coisas não podem permanecer, eternamente, nesta estrebaria moral. Depois do 25 de Abril, um grande poeta, Pedro Tamen, escreveu um poema lindíssimo, que continha este verso: "Agora, estar." A festa não durou muito. Não tivemos força para impedir o regresso do "reino cadaveroso." O que por aí se vê não é o resultado de uma vitória sobre a anarquia. É um monte de escombros, sob o qual ficou soterrado o mais exíguo sonho de felicidade.

APOSTILA – Lemos as listas dos "best sellers" (o Alexandre O’Neill chamava-lhes as "bestas céleres"), e já não nos surpreendemos com o rol de futilidades, de estropícios literários, de imbecilidades programadas que suscita o interessa (e a compra) do português. Não há uma, escassamente uma, minimamente uma só obra daquelas que marcam pela qualidade. Contudo, há-as. São devoradas pela onda de criminalidade literária. Desejo, somente, referir: "Portugal na Espanha Árabe", de António Borges Coelho, Editorial Caminho. É a terceira edição de um monumental trabalho de investigação e de amor, composto de quatro volumes e, agora, reunido num só tomo. Borges Coelho é um dos maiores historiadores portugueses de sempre. Como o seu escrúpulo e o seu rigor nada têm a ver com a feira de vaidades em que se transformou o nosso meio cultural; e a ignorância e o descaso adquiriram carta de alforria nos media – o nome de António Borges Coelho raramente é referido. Porém, é um intelectual de alto coturno, um português raro, um professor que a Universidade aclamou. Este "Portugal na Espanha Árabe" ensina-nos muito daquilo que somos, e da importância da cultura muçulmana no desenvolvimento da nossa própria compleição cultural. Depois, é escrito num idioma de lei. Tudo a concorrer para que os meus Dilectos adquiram este extraordinário texto. E se os jovens da Universidade de Verão do PSD frequentassem as páginas deste volume aprenderiam, certamente, muitíssimo mais do que com aquilo que ouvimos e vão ouvir.
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Baptista Bastos – Escritor e Jornalista

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Gentes do Povo...




Imagem: A. Anacleto
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…delicio-me com modéstia e não escondo o orgulho que sinto, em ter contribuído com outros companheiros de jornada, no desenvolvimento habitacional da minha terra e inclusive da região,

Quando percorro as ruas da minha aldeia, recordo os momentos felizes que senti, quando colocava tijolo sobre tijolo e via crescer mais uma obra, que seria a felicidade de mais uma humilde família do meu burgo.

Após alguma reflexão, com sinceridade e humildade vos transmito, que me sinto um HOMEM REALIZADO…


Isidro Clemente
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Isidro Clemente Francisco, nasceu na freguesia de Louriceira a 04-07-1931. Pedreiro por vocação, contribui como mestre-de-obras ao longo de décadas, na construção de grande número de habitações no concelho de Alcanena e outros concelhos limítrofes

A. Anacleto

sábado, 30 de agosto de 2008

Coluna de Opinião

Por considerármos de alta relevância, decidimos transcrever mais um artigo de opinião do Escritor e Jornalista Baptista Bastos, este, publicado no Jornal de Negócios no dia 29.08.08.

A. Anacleto
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OS VELHOS JÁ NÃO CONTAM?

Portugal e a Europa envelhecem e, segundo as advertências de sociólogos e antropólogos, só a imigração pode salvar as veias esclerosadas de um continente sem tino e com poucos jovens propensos à procriação. O sistema capitalista parece ter urdido a teia do seu próprio esvaziamento. A globalização não resultou; ou, esclarecendo ...


A globalização não resultou; ou, esclarecendo: permitiu a acumulação de fortunas colossais e colocou na miséria mais desesperante milhões daqueles para quem o seu trabalho é insuficiente como garantia de subsistência. O excesso de ganância, a finança a sobrepujar a economia e esta a dominar a política resultaram nesta desorientação.
Mário Soares não se cansa de bater na mesma tecla. E se lermos, com a atenção que ela merece, a dr.ª Teodora Cardoso, entre alguns mais, aperceber-nos-emos de que, assim, as coisas do mundo encaminham-se para a catástrofe. O culto da juventude pela juventude, uma das componentes da ideologia do «mercado», fez rasto a partir da sombria década de 80. O Portugal do dr. Cavaco foi reflexo da Inglaterra de Margaret Tatcher e dos Estados Unidos de Ronald Reagan. O fim da História, como remate de uma era e nascimento de outra, promissora, próspera e feliz, fora «decidido» por um pensador menoríssimo, Fukuyama, no trilho de Milton Friedman. Nada de novo. Apenas o remanejar de teses que agitavam alguma nostalgia dos velhos autoritarismos, apoiados em poderosas empresas, nacionais e multinacionais.
Esta criação de «outro modelo» foi desastrosa. Em Portugal, o aparecimento de um magote de clones uns dos outros fez remover, de lugares importantes, não só a competência e a experiência – como, sobretudo, a memória. Um episódio: por esse tempo, fui redactor-principal de uma revista, «Época», do Grupo Impala. O director era Wilton Fonseca, que possuía uma visão aberta do que deveria ser uma publicação daquele tipo. Um grupo de excelentes jornalistas fora atraído pelo projecto de Wilton.
A certa altura, precisámos de um redactor que percebesse de economia. Fui encarregado de os entrevistar. Com a paciência que a minha tradicional impaciência julgava improvável, lá fui escutando os candidatos, para aí uns dez. Até que me surgiu pela frente, desenvolto, sem medo e sem fadiga, um rapaz cheio de gel, e vestido a preceito: fato cinzento, sapatos pretos envernizados, e botões de punho numa imaculada camisa. Entregou-me um currículo assustador. Pela acumulação de empregos onde já estivera e pela acumulação de erros gramaticais, de sintaxe e de bom senso. Devo dizer aos meus Dilectos que não cultivo a compaixão ante a ignorância nem a condescendência perante a soberba. Antes de começar a entrevista, o moço advertiu: «Quero ganhar seiscentos contos livres de impostos, cartão de crédito, e carro.» Ergui-me, estendi-lhe a mão: «Também eu queria.» O rapaz, que era apenas gel e sapatos pretos envernizados, chegou a director de duas publicações e, mais tarde, foi assessor de ministro. Perdi-lhe o trilho, mas mantive a memória.
«Deixem-nos trabalhar!», o estribilho de propaganda do cavaquismo, expunha a aparente virilidade daquela gente desembaraçada num cartaz onde todos estavam de mangas arregaçadas. O mal dos governos anteriores era diminuído com a promessa de novos tempos. Foi o que se viu. Até hoje não se apurou, com rigor e minúcia, o destino de rios e rios de dinheiro provenientes de Bruxelas. Com aquele dinheirão, até eu, chefe nominal de uma família empobrecida, até eu faria uma figuraça. Cavaco não foi tocado pela sensibilidade social, enquadrando esta palavra na mais ampla da sua definição. Além do que demonstra um atroz conservadorismo, cada vez mais evidente, nestas actuais funções. Transformou o dinheiro em betão, e esqueceu-se, por ignorância cava, a instrução, o apoio à investigação, os cuidados com a velhice. O culto da juventude pela juventude é um culto protofascista. Está nos livros e di-lo a experiência histórica. E as coisas não acontecem por acaso: isto anda tudo ligado, como avisou o poeta Eduardo Guerra Carneiro.
Portugal está cada vez mais velho e a precisar dos imigrados como factores determinantes da sua própria continuidade como nação. O racismo, a xenofobia, o desprezo pelo outro atira-nos para o abismo. É uma imprudência que pagaremos caro. Como a supressão dos velhos constitui a legitimação de uma peculiar violência. Quando um homem de quarenta ou cinquenta anos é atirado para o desemprego; quando uma mulher de trinta ou quarenta é estimulada a «reformar-se», fica obstruído o campo livre da memória e da experiência, em favorecimento daquilo que é absolutamente injustificável. A «renovação de quadros» é uma falácia, destinada, somente, a beneficiar a reduzida lista de gente, para a qual o mundo do trabalho será a execução de uma espécie de desprezo.

APOSTILA – A Imprensa, as televisões e as rádios portuguesas pouco nos informa da realidade política no Cáucaso. Escassamente se sabe do que ocorre no «outro lado.» Chega a ser ultrajante o modo e os estilo como «comentadores do óbvio», referem a trágica situação do que ocorre naquela parte da Europa. Temos de ler jornais estrangeiros (e, mesmo assim, nem todos) para obtermos as informações que nos permitem ajuizar os factos. Talvez seja um pouco pedante da minha parte, que não trago a verdade na mão, mas os Dilectos perdoar-me-ão se lhes assinalar um notabilíssimo artigo, «Moscou-Tbilissi: responsabilités partagées», assinado pelo professor de Oxford, Mark Almond, e publicado na edição de sexta-feira, 22 de Agosto, p.p., de «Le Monde.» É um documento admirável pelo registo pedagógico e pelo esclarecimento que faz da gravíssima questão caucasiana. Começa a ser abjecta a posição unilateral dos jornais portugueses sobre numerosos problemas que, directa ou indirectamente, afectam todos nós.
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Baptista Bastos – Escritor e Jornalista

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Eventos

OLHOS DE ÁGUA - FREGUESIA DE LOURICEIRA
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Noite Europeia dos Morcegos

O Centro Ciência Viva do Alviela – CARSOSCÓPIO comemora no próximo dia 30 de Agosto (sábado), pelas 19h30, a Noite Europeia dos Morcegos, evento realizado sob a égide do EUROBATS que será transmitido em directo pela recém inaugurada CvTv.
A “Noite Europeia dos Morcegos”, comemorada anualmente em mais de 30 países, resulta do “Acordo para a Conservação das Populações dos Morcegos Europeus”, a que Portugal aderiu em 1995.
As inscrições já se encontrem já esgotadas. No entanto, a “Noite Europeia dos Morcegos” pode ser acompanhada em directo no canal online da Ciência Viva (CvTv) a partir das 19h00.
Este evento marca ainda o início da disponibilização na internet dos recursos do Observatório dos Morcegos Cavernícolas (OMC) através do lançamento do site “Morcegos na Web”. Conseguido com a colaboração da Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN) e do PÚBLICO.PT, o site “Morcegos na Web” vai permitir utilizar remotamente os recursos do OMC e acompanhar em tempo real o dia-a-dia dos morcegos do Alviela através de quatro câmaras de infra-vermelhos instaladas nas grutas, manipuladas por um joystick que permite aproximar a imagem sem introduzir perturbação no meio.

AQUI FICA O PROGRAMA:
19:00 – Abertura do Programa Ciência Viva TV; lançamento do WebSite;
19:30 – Início da Noite Europeia dos Morcegos; Apresentação do programa e dos intervenientes;
19:35 – Início da Palestra multimédia (internet) / vídeo-conferência sobre os morcegos; Intervenção do EUROBATS - Acordo sobre a Conservação das Populações de Morcegos Europeus (via web);
20:00 / 21:00 - Observação da actividade das colónias residentes na Lapa da Canada através das câmaras do Observatório dos Morcegos Cavernícolas, com comentários e sessão de perguntas aos especialistas;
20:30 / 21:00 – Visita à Lapa da Canada para observação e detecção acústica das diferentes espécies de morcegos.
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A. Anacleto

Locais...



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Freguesia de Vila Moreira
Concelho de Alcanena


A freguesia de Vila Moreira, foi criada pelo Decreto Nº 994 de 29 de Junho de 1920, constituída a partir da antiga povoação de Casais Galegos.
É uma freguesia, onde sempre predominou a democracia, mesmo durante os tempos difíceis da ditadura do Estado Novo.
Localizada num monte, a dois quilómetros da sede do concelho, confina a norte, com a freguesia de Moitas Venda, pelo sul, com a freguesia de Louriceira, pelo nascente, com a freguesia de Alcanena e com o poente pela freguesia de Monsanto.
A igreja matriz foi começada a construir no ano de 1926. No entanto a primeira missa foi celebrada uma década depois, mais concretamente no dia 25 de Dezembro de 1936, ainda com as instalações incompletas, pois, só mais tarde a mesma foi concluída. O orago da freguesia é Nossa Senhora da Conceição.
Estão localizados nesta freguesia os montes “Penas dos Arrifes”, situados nas fraldas da Serra dos Candeeiros.
Continuam a realizarem-se os festejos populares alusivos ao S. João. Foi uma tradição que praticamente sempre foi preservada pelas gentes de Vila Moreira.
A freguesia sempre foi fértil em beneméritos. No tempo do Estado Novo já possuía Albergue para idosos, Cantina Escolar para crianças e Bairro para Pobres, todos mandados erguer por beneméritos da freguesia.
Ao longo das épocas, sempre primou pelo desenvolvimento industrial, o qual, destacamos a indústria de curtumes. Mas também no comércio e na agricultura sempre teve e continua a manter dinâmica forte.
Actualmente, a freguesia tem uma população de cerca de um milhar de habitantes, para uma área de cinco quilómetros quadrados.

A. Anacleto

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Coluna de Opinião

Por acharmos de elevado relevo, transcrevemos o artigo do Escritor e Jornalista Batista Bastos, publicado no Jornal Diário de Notícias, ontem dia 27.08.08
A. Anacleto
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POBRE POVO NAÇÃO DOENTE

Está uma batalha lá fora e os políticos não encontram melhor forma de reconhecimento do que se passa senão com dizer coisas sem sentido. A violência está a mudar (mudou) a nossa sociedade e põe em causa não apenas a face social do País como favorece a emergência de ataques à liberdade, em nome da segurança. As primeiras páginas dos jornais, os "alinhamentos" dos noticiários televisivos não se baseiam em princípios abstractos: a gestão do medo traduz a realidade do medo, e uma falta de confiança na avaliação dos políticos.
Impressionamo-nos com a crueza das imagens de brutalidade mas, a seguir, admitimo-las porque nos resignámos. Criou-se a mentalidade difusa, volatilizada, de que esta realidade é a concepção subjacente da "modernidade". Oculta-se a verdadeira razão: o capitalismo contemporâneo criou um indivíduo que recusa e resiste a qualquer forma de compromisso. Os laços sociais foram destruídos e o homem "moderno" encerra-se em si próprio, indiferente não só ao "outro" como relapso aos assuntos públicos.
As esferas estão demarcadas. Se, num lado, os guetos não ocultam a injustiça e são alfobres de ressentimento, resultantes das deformações sociais, no outro lado estão os condomínios fechados, que multiplicam as fronteiras entre dois mundos distintos. O que se entrevê como protecção transforma-se em couraça.
As classes dirigentes alteraram, dramaticamente, os espaços de aproximação afectiva. Vivemos num país, numa sociedade, que ignora o conceito de comunidade e de partilha para se converter numa massa esvaziada de substância.
A "prevenção" do crime está certa. Mas as declarações nesse sentido, proferidas por responsáveis da "segurança", desembaraçam-se de qualquer desejo de análise e de racionalidade. "Mais polícia" é paliativo; não é solução. A desumanização social, a deformidade e a abjecção que se encontram na natureza do sistema ganharam raízes na cultura dominante. A desigualdade na distribuição da riqueza é afrontosa. Os jornais informam que aquele multimilionário superou, em fortuna acumulada, aqueloutro; que "gestores" auferem reformas sumptuárias após meia dúzia de meses de exercício de funções; que a fuga aos impostos é uma prática só possível, e permitida, aos ricos - como se o valor de uma pessoa fosse, claramente, inferior ao de outra.
Dostoievski ensinou que o crime compensa. Raskolnikov é, unicamente, castigado pelo remorso. Sentimento que me não parece muito comum entre aqueles indicados. Henri Michaux, poeta de que gosto muito, autor, aliás, de um pequeno livro, Equador, este, sim, maior, escreveu: "Só lutamos bem por causas que nós próprios modelamos e com as quais nos queimamos ao identificarmo-nos com elas."

O português não é mobilizado porque é constantemente desprezado.
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Baptista-Bastos
Escritor e Jornalista
in DN . edic. 27.08.08

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Homenagem...



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Imagens dramáticas da Poluição do Rio Alviela na década de setenta do século passado.
A. Anacleto


“DIABO” vai ter busto junto à sua casa

A Câmara de Santarém atribui medalha de ouro a Joaquim Jorge Duarte o “Diabo”. No dia 6 de Setembro vai ser erguido um busto junto à sua casa em Pernes.
A Câmara de Santarém decidiu, por unanimidade, atribuir a medalha de ouro da cidade ao “Diabo”, pela luta que empreendeu durante décadas pela despoluição do rio Alviela.
Joaquim Jorge Duarte, morreu em 1991, foi um grande defensor pela defesa dos valores da democracia, da cidadania e da natureza até quase ao final da década de oitenta do século passado.
Francisco Moita Flores, Presidente da Câmara Municipal de Santarém disse que a evocação desta personalidade invulgar estará sempre associada à defesa do Alviela, no combate contra a sua destruição, à afirmação do princípio da vida sobre a determinação da morte. “A acção do Diabo, e dos seus companheiros de defesa pelo Alviela, alastrou a vagas crescentes e entusiastas, ultrapassou os limites do concelho e transformou esta causa num objectivo nacional”, pode ler-se na proposta feita pelo autarca e aprovada pelo executivo.
Esta é uma iniciativa que corresponde a diversas recomendações vindas da assembleia municipal.
Assim, no dia 6 de Setembro vai ser colocado o busto de Joaquim Jorge Duarte junto à sua antiga casa localizada na vila Pernense.
No ano de 1957 o Diabo teve a ousadia de organizar um abaixo-assinado dirigido a Salazar. Mais tarde, em Janeiro de 1970 recolheu amostras de água do Alviela em garrafões e levou-as à Assembleia da República, os quais, propositadamente os partiu nas escadarias daquelas instalações.
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A. Anacleto

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Artes...



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Imagens: A. Anacleto
Excerto da exposição de pintura de Orlando Gomes na Casa da Cultura em Alcanena
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QUANDO PINTO

Quando pinto,
escorrem-me entre os dedos
as tintas, belas,
e faço com elas
carícias suaves
às telas

O que pinto
á o teu corpo sensual
de mulher
é em ti que crio, desenho,
pinto e me entrego.
é por ti que me transcendo
e me transformo.

Lanço nas telas
golfadas de cor,.
mas é com o teu corpo
que sonho,
e onde sinto
o meu amor.
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Orlando Gomes - Excerto do livro "Viagem ao Interior da Solidão"

domingo, 24 de agosto de 2008

Outros Locais...



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Imagens: A. Anacleto

ALBURQUERQUE – Vila Histórica na Região Extremenha

A cerca de meia centena de quilómetros das fronteiras de Marvão e de Elvas, localiza-se uma vila espanhola, denominada Albuquerque.
Num roteiro pela mesma, encontrámos espaços de elevado valor histórico. A parte mais nova da vila encontra-se muito bem estruturada na vertente arquitectónica. Enquanto a parte histórica se encontra óptimamente conservada. Destacamos o Bairro Medieval - “Villa Adentro”, a Sinagoga, o Castelo de Luna, o Convento de Madre de Deus, a Igreja de S. Francisco, as Igrejas Paroquial de S. Mateus e de Santa Maria do Mercado, as Muralhas, e as Portas de Valência e La Villa, além de outros...
No âmbito da natureza e ambiental, deparámo-nos com o Rio Gévora, com excelentes galerias formadas por bosques existentes nas suas margens, onde abundam várias espécies de aves.
Se viajar por perto, sugerimos uma visita a esta simpática vila extremenha…

A. Anacleto

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Outros Locais...



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Imagens: A. Anacleto

CÁCERES - PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE

Trilhando caminhos além fronteiras, visitámos a cidade histórica de Cáceres, no país vizinho de Espanha.
A pouco mais de cem quilómetros da fronteira de Marvão, deparámo-nos com esta histórica cidade com cerca de noventa e seis mil habitantes.
Cidade bem estruturada em termos arquitectónicos, com excelentes avenidas e com uma extremosa arrumação.
O Centro Histórico da cidade é rico em termos de monumentos. Antes de penetrarmos na parte monumental, encontrámos uma bela Plaza Mayor com uma arquitectura próprial.
Visitámos vários museus, dos quais destacamos o Museu da Cidade de Cáceres, onde se encontram inúmeras peças de arqueologia das épocas do paleolítico, das idades do cobre, do ferro e do bronze, a etnografia também está presente na Casa de las Veletas, no sector das Belas Artes estão presentes várias colecções artísticas da Arte Contemporânea. A peça fulcral que está exposta numa das salas é o quadro de Jesus Cristo Salvador de El Greco. Destacamos também a grandiosa Cisterna subterrânea de estrutura islâmica que ocupou a parte mais alta da cidade entre os séculos IX e XI.
Além do riquíssimo museu a zona histórica é composta por vários outros monumentos dos quais, destacamos a Concatedral de Santa Maria (s. XV-XVI), o Palácio Episcopal (s. XIII-XVIII), a Igreja de S. Francisco Xavier e muitos outros.

Sugerimos uma visita a esta cidade rica em história e arte…
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A. Anacleto

domingo, 17 de agosto de 2008

Viajando por outros locais...



Imagens: A. Anacleto
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Hoje fomos à descoberta do concelho do Fundão. Nos diversos locais que visitámos há um que nos deslumbrou. Foi no alto da Gardunha na freguesia de Alcongosta.
Ficámos surpresos e maravilhados com a paisagem e a lonjura da Cova da Beira visto daquele lugar. Deu-nos a sensação de que as serras se queriam “beijar”! Mas o vale longínquo e profundo assim o impede.
Sentimos uma quietude lá no alto. Escutámos o chilrear dos pássaros em liberdade. Quando olhámos a outra serra – a Estrela, recordámos os tormentos que passámos no dia anterior nos píncaros da Torre com as condições climatéricas altamente antagónicas em relação ao dia de hoje. Enquanto hoje o sol brilhou, ontem, foi a melancolia do vento agreste, do denso nevoeiro e da baixa temperatura, que fizeram sofrer os “cavaleiros do asfalto” e os milhares de adeptos, amantes do ciclismo que foram aplaudir os seus ídolos.
Sugerimos uma visita a estes locais maravilhosos, para conhecer as suas belezas paisagísticas e maravilhosa gastronomia.
A. Anacleto
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Fundão
O Fundão está localizado no sopé da Serra da Gardunha, no planalto da Cova da Beira, a uma altitude de cerca de 500 metros. É sede de um município com 701,65 km² de área e 31 482 habitantes, subdividido em 31 freguesias.
O Município é limitado a norte pelos municípios da Covilhã, Belmonte e Sabugal, a leste por Penamacor e Idanha-a-Nova, a sul por Castelo Branco, a sudoeste por Oleiros e a oeste por Pampilhosa da Serra.
História
Na Idade do Ferro, desde o ano 1000 a.C. até à sua destruição pelos Romanos, houve no topo do Monte de São Brás um Castro lusitano. Este foi substituido por uma vila ou núcleo de edifícios agriculturais no tempo do Império Romano (por baixo da Rua dos Quintãs). Julga-se que a villa foi substituida por uma mansão senhorial fortificada na Alta Idade Média.
O topónimo do local Fundão foi pela primeira vez referido em documento de 1307, e depois 1314 e 1320 referindo 32 casas. Nessa altura ficava aquém em população e influência, a várias aldeias que hoje fazem parte do seu concelho, como a do Souto da Casa.
A história do Fundão enquanto centro urbano preeminente é condicionada desde o início pelos Cristãos-Novos, assim como a dos concelhos vizinhos de Belmonte e da Covilhã. Após a expulsão dos judeus espanhóis (sefarditas) em 1492 pelos Reis Católicos Fernando e Isabela, grande número de refugiados veio a estabelecer-se na Cova da Beira, onde já havia minorias judaicas significativas. Foram estes imigrantes, fundando bairros dos quais o mais importante situava-se em volta da Rua da Cale (Rua do Encontro ou da Sinagoga em Hebraico, que permitiram ao local Fundão assumir as dimensões de uma verdadeira cidade. O influxo de mercadores e artesãos judeus transformaria a cidade num centro importante para o comércio e a industria. Com o estabelecimento da Inquisição, começaram as perseguições aos judeus e cristão-novos, tendo sido numerosas as expropriações, as torturas e as execuções. Ainda hoje são frequentes os nomes dos cristão-novos nos habitantes da região. A cidade perdeu assim nessa altura grande parte do seu dinamismo económico.
Em 1580 os notáveis da cidade deram o seu apoio ao Prior do Crato D. António, contra as pretensões do Rei de Espanha D. Filipe II (Filipe I de Portugal). Nesse ano elevaram unilateralmente eles próprios o Fundão ao estatuto de Vila. O concelho foi fundado em 1747 por ordem de D.Maria I, emancipando-o da Covilhã.
No período do Iluminismo do fim do Século XVIII, o então Primeiro Ministro do reino, o Marquês de Pombal, após equiparar legalmente os cristão-novos aos cristão-velhos, procurou restaurar a preeminência económica da cidade fundando a Real Fábrica de Lanifícios, onde hoje está situada a Câmara Municipal. Nessa altura voltaram a ser exportados em quantidade os tecidos de lã do Fundão. A cidade foi saqueada durante as Invasões Francesas, e voltou a sofrer durante a Guerra Civil entre os Liberais pró-D. Pedro II e os Conservadores pró. Miguel.
O Fundão foi elevado a Cidade em 19 de Abril de 1988.
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Freguesia de Alcongosta
Localização Geográfica:
Alcongosta fica situada em plena Serra da Gardunha, envolvido pelos imensos cerejais e as vistosas manchas de castanheiros e pinheiros de vários tipos, dando-lhe um conjunto ímpar de cores.
Alcongosta tem como freguesias limítrofes: Fundão, Donas, Alpedrinha, Castelo Novo, Souto da Casa e Aldeia de Joanes.
História:
A sua instituição paroquial deve ser do século XIII, sob padroado real, de que sempre foi tendo o pároco o título de prior. A existência do território desta freguesia numa região arqueologicamente muito documentada faz supor que o seu povoamento é não apenas anterior à Nacionalidade, mas de épocas provavelmente muito mais recuadas.
Os cumes vizinhos forneciam fácil defesa e abrigo às populações primitivas, mas não é possível afirmar se houve uma persistência contínua de habitantes desde os primeiros tempos. A toponímia também não dá uma grande ajuda, parecendo até que os principais topónimos da freguesia indicam nomes de repovoamento nacional.
Alcongosta é um daqueles interessantes topónimos em que o artigo Arábico a/ aparece aplicado a um nome de origem latina, que vem ter aqui um sentido topográfico, de passagem apertado, entre elevações.
O território de Alcongosta foi certamente repovoado nos fins do século XII, com a Covilhã, em cujo termo se situava; no entanto, não se trata de povoamento efectuado pelo concelho da Covilhã, visto que Alcongosta foi desde logo honra, que não fazia foro à Vila nem à Coroa. Que o foi desde logo, diz nas Inquirições de 1290, ano em que não havia conhecimento e muito menos lembrança de ter existido na localidade estado diferente - o que leva a crer ter ele sido sempre de honra. Houve aqui casais de diversos privilegiados como D. Lourenço Soares, D. Urraca Afonso, João Esteves e a Ordem do Templo. D. Dinis considerou esta honra legitima mandando ficar tudo como estava, e a mesma assim se conservou pois que as Inquirições de 1395, D. João I, demarcando o Reguengo de Alcambar, dão-lhe, por limite, em certa parte, a localidade a Alcongosta que não parece Reguenga.
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in site C.M. do Fundão

Ciclismo - 70ª Volta a Portugal em Bicicleta



Imagens: A. Anacleto
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“Cavaleiros do Asfalto”, sofrem na Estrela…

Com condições climatéricas adversas, mesmo complicadas, em termos de nevoeiro, chuva, frio e vento forte, os ciclistas da 70º Volta a Portugal, foram heróis para chegarem ao cimo da Torre na Serra da Estrela.
A Liberty Seguros dominou a parte da etapa, colocando cinco corredores nos dez primeiros lugares, na etapa três da Volta 2008, hoje disputada.
Rui Sousa da Liberty, venceu isolado com 4h:54m:37s, ficando o espanhol David Blanco da Palmeiras Resort-Tavira na segunda posição a 01m:40s e outro espanhol Hector Guerra também da Liberty no terceiro lugar a 02:45s.
O benfiquista Ruben Plaza que era líder da prova ficou na sexta posição, perdendo 04m:41s para Rui Sousa, passando assim a camisola amarela para o ciclista da Liberty Seguros.
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Reportagem: A. Anacleto

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Ciclismo - 70ª Volta a Portugal em Bicicleta



Imagens: A. Anacleto
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"CAVALEIROS DO ASFALTO"

Estamos a fazer reportagem da 70ª Volta a Portugal em Bicicleta 2008 em terras de Beira Baixa.
Hoje, estivemos presentes no final da segunda etapa que terminou na cidade albicastrense de Castelo Branco.
A vitória coube ao italiano Danilo Napolitano da equipa Lampre, que bisou, já que tinha vencido ontem em Beja.
O melhor português foi Manuel Cardoso, da Liberty Seguros, enquanto que, Cândido Barbosa do Benfica, foi o segundo melhor português, ficando na quinta posição.
Nos dez mais da etapa, exceptuando aqueles dois ciclistas, as restantes posições foram ocupadas por ciclistas estrangeiros.
Amanhã estaremos no final da terceira etapa que termina no ponto mais alto de Portugal Continental, na Torre da Serra da Estrela.
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A. Anacleto

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Ciência

A Cientista Elvira Fortunato concede entrevista a Jornal Ribatejano.
A. Anacleto
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Elvira Fortunato destacou-se pelas descobertas na área da electrónica
Uma cientista teimosa que gosta de ir à luta.


Tem raízes ribatejanas a mulher que nas últimas semanas se tornou centro das atenções da comunicação social a nível nacional e internacional. Uma descoberta científica feita em Portugal colocou na ribalta Elvira Fortunato, 44 anos, licenciada e doutorada em Engenharia dos Materiais. Fez dela uma estrela, como diz a filha Catarina.
Elvira nasceu em Almada, filha de um casal oriundo da aldeia de Louriceira, concelho de Alcanena. O pai, já falecido, era empregado de balcão. A mãe doméstica. Vai à Louriceira com frequência rever familiares e amigos. Era ali que passava boa parte das férias de Verão na sua infância e juventude, entre passeios pelo mato e mergulhos no Alviela. Era ali que estava no sábado, 26 de Julho, quando foi convidada para dar a sua primeira entrevista televisiva.
A ciência raramente é notícia no nosso país. Estava preparada para todo este mediatismo?
Isso não.
O que mudou no seu quotidiano?
Sobretudo as solicitações da comunicação social. É uma experiência nova, até para a minha filha. E temos de corresponder. Acho que isto é uma coisa boa. Ultimamente temos tido muitas notícias pela negativa. Tento falar com todos os jornalistas e explicar aquilo que fiz, porque acho que tenho esse dever para com a sociedade.
Como tem lidado com o facto de se ter tornado um exemplo do que melhor se faz em Portugal?
Aumentou as minhas responsabilidades e quanto mais alto se está maior é a queda. Agora estamos num patamar um bocadinho diferente e temos de ser um exemplo a todos os níveis. Não só científico, mas também humano, social.
Essa vocação para a ciência, para a investigação, para a descoberta já vem de infância? Sempre foi uma pessoa curiosa?
Sim, sempre fui muito curiosa. Sempre gostei muito de descobrir coisas e de fazer coisas. Não tanto se calhar na electrónica. Isto surgiu à custa de um percurso. Uma das experiências que me marcou no liceu foi observar ao microscópio as células da cebola.
Já tinha nessa altura a percepção de que poderia seguir esta carreira?
Nessa idade ainda não. Não me passava pela cabeça ser cientista.
O que pensava seguir?
Queria enveredar pela área da engenharia. Entrei para a faculdade em 1982 e só comecei a gostar de investigação quando já estava no curso. Aí sim, ter aulas no laboratório levou a que o bichinho da investigação se desenvolvesse.
A ciência ocupa-lhe grande parte da sua vida? Ou tem tempo para outras coisas?
Ocupa-me boa parte da minha vida, mas também sou mãe de uma filha de 11 anos e tenho tempo para outras actividades.
O que gosta de fazer para além da investigação?
Gosto também de cozinhar. Sou uma boa cozinheira. Gosto no Verão de ir à praia. E também gosto de ir à Louriceira. É lá que estão as minhas origens.
Que memórias guarda das suas férias na infância Louriceira?
As minhas férias de infância eram lá passadas. Retenho na memória as brincadeiras, ir ao rio Alviela a pé com as minhas amigas, às vezes sem dizer à minha mãe. Andar lá pelos matos.
O que representa para si o Ribatejo?
Acho que as pessoas são muito boas, muito francas, muito quentes. Claro que há também as touradas. Gosto muito mais até de ir à praça de toiros do que ver pela televisão. Gosto da comida. Adoro morcelas de arroz, molhinhos. E gosto muito de caracóis, embora isso haja em todo o lado.

Entrevista na íntegra na próxima edição semanal de O MIRANTE.

in Jornal O Mirante - edic. online

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Gastronomia de Outras Eras...

"Cagarrinhas"

Esta planta é da família do cardo. É necessário algum cuidado na colheita e na preparação para a cozedura. Eram somente aproveitadas para confecção culinária, as folhas e os talos mais tenros. Colocava-se ao lume uma panela de ferro com água e sal. Após esta levantar fervura, colocavam-se as cagarrinhas para serem cozinhadas. Depois de cozidas, deitavam-se num alguidar de barro vidrado em conjunto com grãos ou feijões, que tinham sido cozinhados separadamente. Seguidamente, mexia-se tudo com uma colher de pau. Temperava-se com azeite genuíno e acompanhava-se, conforme as possibilidades económicas de cada família!...
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in "Tradições Populares da Minha Terra" - Anselmo de Sousa
A. Anacleto

domingo, 10 de agosto de 2008

Ciência

A Cientista Elvira Fortunato, de origens natais Louriceirenses, concedeu mais uma entrevista, desta vez ao Jornal "Portugal Diário".
VEJA O VÍDEO
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A. Anacleto

sábado, 9 de agosto de 2008

Tradições Populares...


Imagem: A. Anacleto

- Confeccionando o queijo...
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Imagem recolhida na Festa da Benção do Gado - Riachos 2008

Espaço Poético

SENTIMENTOS

Nas caminhadas que fiz
Pelas estradas do mundo
Encontrei mil sentimentos
Muitos de amor profundo

Vivi e contactei
Com gerações diferentes
Com elas enriqueci
O coração e a mente

Cada um tem seu sentir
Que dá gosto apreciar
Com uns é um prazer conviver
Com outros nem mesmo brincar

Há quem nasce com dom bom
Outros com dom mau
Uns com coração de mel
Outros com coração de pau

Há quem tenha sentimento de ouro
Outros com sentimentos de fera
Alguns são ervas daninhas
Outros são flores da Primavera

Anselmo de Sousa

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Coluna de Opinião

O Historiador Paulo Varela Gomes, publicou hoje no Jornal “Público, o artigo que reproduzimos na íntegra, por acharmos relevante o assunto abordado pelo autor.
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O Fim dos Tempos

Quando eu nasci na década de 1950 começava a acabar a civilização na qual tinham vivido os meus pais, avós e bisavós, na qual eu próprio viveria a primeira metade da minha vida, e que durava há praticamente 200 anos.
Na altura ninguém reparava nesse final de um mundo. Eu também só me apercebi muito tarde de que tudo estava a mudar. Creio que isso sucedeu quando deixei de viver na cidade e fui para o campo, no final da década de 1990. Na cidade só se dá pelos ganhos da mudança. As perdas passam despercebidas. No campo, pelo contrário, a presença simultânea das várias idades e civilizações, incluindo os tempos agrários, mais velhos que 200 anos, permite uma avaliação mais compassada daquilo que se altera.
Foi por viver no campo que comecei a prestar uma atenção especial à luta pela preservação da memória e pela conservação dos vestígios do passado próximo na qual se empenham cada vez mais pessoas na nossa civilização: todos aqueles que escrevem e querem publicar memórias, e que são cada vez mais. E todos aqueles que as lêem. Os que publicam e adquirem livros de fotografias antigas, fundam e frequentam museus de coisas do "tempo dos nossos avós", preservam objectos e sítios. O passado, o passado de cada geração e não apenas o passado histórico, tornou-se objecto de uma actividade que mobiliza e apaixona milhões de pessoas.
Ao começar a vir a Goa, e ao instalar-me aqui, tudo isto se tornou ainda mais claro para mim. Era dominante aqui a civilização europeia e a mudança faz-se nos mesmos moldes daquela que na Europa mas, neste pequeno território, as coisas aparecem intensificadas pela compressão da escala: desde a década de 1980, uns 30 anos depois da mesma mudança ter tido início no Ocidente, tudo começou a alterar-se com uma rapidez inusitada. E também aqui, em espanto e desorientação, se publicam livros de memórias e fotografias antigas, se fala incessantemente de como tudo mudou.
Muitos acham que a mudança em Goa tem que ver com a anexação do território pela Índia em 1961 e as suas consequências. Mas não. A própria Índia está a mudar. A mudança, em sítios que a Europa apenas tocou superficialmente como sucede com a maior parte da Índia, será certamente diversa daquela que decorre no Ocidente, desaparecendo ao mesmo tempo, muito rapidamente, as Índias que existiam até há 30 anos, a arcaica e a moderna.
Saber se esta mudança de civilização, entre o mundo criado pela Revolução Industrial e as revoluções burguesas, o mundo da grande cultura burguesa e depois da grande cultura moderna, e o mundo que agora está a nascer, saber se esta mudança é "para melhor" ou "para pior", é uma questão que só me interessa às vezes, e por razões polémicas.
A questão que me apaixona é saber para onde estamos a mudar. E porque é que estamos a perder na mudança o melhor da cultura ocidental dos últimos 200 anos. Muito do que tenho escrito ultimamente é sobre isto e é claro que voltarei ao tema.

Paulo Varela Gomes - Historiador

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Novo Livro...


Louriceira - Memórias das Festas

Está elaborado um livro da autoria de Arnaldo Anacleto, o qual, retrata as memórias das festas de verão que se realizaram naquela freguesia ribatejana entre as décadas de setenta e noventa do século passado.

A. Anacleto

domingo, 3 de agosto de 2008

Festas Populares



Vaqueiros vive as Festas Populares

Este ano não se realizou o Festival do Alviela em Vaqueiros, mas a aldeia está a viver este fim-de-semana as suas Festas Populares em Honra do Espírito Santo.
A atracção deste ano, foram os “Pólo Norte”, banda que está a comemorar os quinze anos de existência.
Assim, ontem sábado, a noite foi enorme com um grandioso concerto, que levou ao rubro os milhares assistentes presentes no recinto do Rossio da Igreja.
Realçamos um caso inédito. Os músicos acabaram a actuação entre o público como se tratasse um concerto entre amigos.
Depois foi a correria aos autógrafos.
Os festejos vão prosseguir neste Domingo.
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A. Anacleto

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Outros Tempos... Outros Costumes...



Imagens: A. Anacleto
Recolha nas Festas da Bênção do Gado 2008 - Vila de Riachos - Ribatejo - Portugal


Transportes de Outras Eras…

Na maioria das aldeias portuguesas, em épocas remotas, não existia água canalizada. O abastecimento, era feito nas fontes públicas. Em alguns casos, eram as mulheres com os cântaros à cabeça que se iam abastecer. Outro meio de abastecimento, eram o transporte da água em carros inerentes, conforme se pode visualizar nas imagens.
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A. Anacleto

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Outras Épocas...



Imagens: A. Anacleto
Recolha de imagens na Festa Benção do Gado na vila de Riachos - Ribatejo - Portugal


A Escola Primária

Até aos finais da década de cinquenta, nem todos os meninos frequentavam a escola até à quarta classe. Um número substancial, abandonava a mesma, na segunda ou na terceira classe. Abalavam para irem trabalhar nos campos, ajudando os pais e os irmãos mais velhos, que também já tinham seguido o mesmo caminho.
Vê-se na imagem como eram as mesas das salas de aula; denominavam-se «carteiras». As mesmas, eram compostas de dois lugares. Tinham recipientes próprios para os tinteiros, onde se molhava os aparos das canetas feitas de pau. Era com estas canetas simples, que se escrevia nos cadernos chamados «duas linhas», onde se aprendia a fazer uma boa caligrafia.
Outro pormenor que a imagem demonstra é a «pedra». Era uma ardósia, na qual os alunos aprendiam a fazer as primeiras contas e as primeiras letras. Era a primeira «companhia» do aluno a partir do primeiro dia de escola.

A. Anacleto

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Espaço Poético...









Imagem: A. Anacleto

“Rio Alviela”

Quando ao teu local passo
Fico cheia de emoção
Recordando o teu passado
Dentro do meu coração

Outros tempos já passados
Recordar-te é uma pena
Eras tu uma praia
Para o concelho de Alcanena

Nas tuas águas brilhantes
As lavadeiras cantando
Cada qual na sua pedra
A sua roupa lavando

Sentia-se uma alegria
A água de lés-a-lés
Nas bermas desse teu rio
Molhavam-se os nossos pés

Continuas a correr
Em redor há um silvado
Não tens aquela alegria
Do que foi teu passado

Maria Cândida Azedo
in "Antologia de Poesia Popular"
Concelho de Alcanena

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Tradições Populares...



Imagem: A. Anacleto
Recolha na Festa da Bênção do Gado 2008 - Vila de Riachos - Ribatejo - Portugal


As Tabernas

As tabernas eram locais de convívio das gentes trabalhadoras.
Nos invernos rigorosos, quando não se podia trabalhar nos campos agrícolas, os jornaleiros reuniam-se nas tabernas, onde passavam o tempo de lazer, bebendo o copo de tinto ou branco, acompanhados pelo tremoço, a pevide ou o torresmo, enquanto jogavam as cartas ou dominó, até que o tempo melhorasse para a retoma das jornadas de trabalho.
Era nestes locais que se escutava na telefonia (com o olho a brilhar) os relatos do futebol ou do hóquei em patins. Era ali também, que se sabiam as novidades (boas e más) dos burgos.
A. Anacleto

Festas do Povo



Imagens: A. Anacleto

O Povo saiu à rua...

Milhares de pessôas, assistiram ontem à tarde ao Cortejo da Benção do Gado, na vila de Riachos, concelho de Torres Novas.
População riachense e os agricultores em especial, meteram mais uma vez mão à obra para levar a efeito o espectacular cortejo na rua principal da vila.
Em frente do largo da igreja, iam recebendo a bênção divina, conjugado com a beleza da ornamentação das ruas da vila.
Assistimos a "Uma festa feita pelo povo e para o povo", na qual não faltaram as tradições e as raízes rurais do povo riachense.
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A. Anacleto

Outros Tempos... Outros Costumes...



Imagens: A. Anacleto
Recolha nas Festas da Benção do Gado 2008 - Riachos - Ribatejo - Portugal

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Os Namoricos de Outrora…

Outrora, até meados da década de sessenta do século passado (XX), nas aldeias portuguesas, os jovens namoravam à janela. Só era permitido, o namorico à Quarta-feira à noite e ao Domingo durante a tarde.
Se não cumprissem com o “regulamento popular”, a moça, passaria a ficar “apontada” pelas gentes da aldeia.
Outros tempos… Outros costumes…
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A. Anacleto

sábado, 26 de julho de 2008

Ciência

ELVIRA FORTUNATO, Cientista, filha de pessoas humildes e simples da freguesia de Louriceira, concelho de Alcanena, ganha o maior prémio de sempre atribuído a um cientista português.

Foram 2,5 milhões de euros que O European Research Council (ERC) atribuiu como primeiro prémio de engenharia à cientista da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Elvira Fortunato pode gastar esta verba numa nova investigação.
O projecto «Invisível» levou a cientista portuguesa ao topo, uma vez que este prémio já é considerado uma espécie de Nobel. Consiste na proposta de fazer transístores e circuitos integrados transparentes usando óxidos semicondutores, uma ideia pioneira a nível mundial.
«Este dinheiro é fundamental para o centro de investigação, porque vai permitir consolidar a actividade da minha equipa na electrónica transparente, uma área com potencialidades que hoje ninguém imagina», disse, Elvira Fortunato, depois de vencer o maior prémio de sempre atribuído a um investigador lusitano.
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A. Anacleto

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Ciência


Imagem recolhida anexa à notícia do Jornal "Público"
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Concurso de Bolsas Avançadas
Investigadora portuguesa recebe 2,25 milhões de euros do European Research Council


A investigadora Elvira Fortunato, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (UNL), venceu uma das Bolsas Avançadas do European Research Council, no valor de 2,25 milhões de euros, disse ao PÚBLICO Maria Arménia Carrondo, vice-reitora da UNL. "A Nova está de parabéns esta semana", comentou a vice-reitora.
Elvira Fortunato, de 44 anos, é actualmente directora do Centro de Investigação de Materiais (Cenimat) da UNL e foi notícia esta semana por ter publicado, em conjunto com mais cinco colegas do seu centro de investigação, um artigo científico que descreve o primeiro transístor com papel.
A este primeiro concurso de Bolsas Avançadas da European Research Foundation concorreram 2167 investigadores: 766 na área das Ciências da Vida e Medicina, 997 na área da Física e das Engenharias e 404 nas Ciências Sociais e Humanidades.
Os investigadores concorrentes tinham uma média de idades de 52 anos e provinham de 50 nacionalidades. As mulheres representavam 14 por cento dos concorrentes. Apenas um por cento dos investigadores candidatos eram portugueses, metade dos quais mulheres.

in Jornal "Público" - edic online - 25.07.08 - 18:15h....................................
A Investigadora ELVIRA FORTUNATO é descendente de familia da freguesia de Louriceira, concelho de Alcanena.
A. Anacleto

História


Bocage, andou por arrabaldes de Alcanena, tal como por outras terras, fugindo à perseguição de Pina Manique. Na região, escolheu um local predilecto para refúgio e devaneio poético. Foi na área da povoação de Louriceira, nas proximidades da nascente do rio Alviela - Olhos de Água. Próximo deste local, existia uma estalagem na qual se hospedou e onde conheceu uma moça chamada Arselina, que se apaixonou, como tantas outras, mas o trocou por outro.
O poeta pranteia a sua triste sorte nos seguintes versos:

Lá, onde em fofa espuma se despenha
O gárrulo Alviela, transparente,
De alcantilada, ruinosa penha,

Quando as sombras caíam do ocidente,
Renovando seus ais a ave nocturna,
E a rã loquaz seu cântico estridente

Jazia o triste Elmano em ampla furna
Que, roçando a corrente cristalina,
Nega o côncavo seio à luz diurna,

Ali, o som da humilde sanfonina,
O pastor solitário, em vãs endeixas,
Dava às traições e às graças de Arselina
Ternas saudades, lastimosas queixas.

Arselina se entrega ao rude Algano,
Em campos, em manadas opulento,
De amor se esquece, esquece-se de Elmano,
Elmano lhe voou do pensamento
………………………………………….
Pesquisa: A. Anacleto
Biografia de Bocage:
MANUEL MARIA de BARBOSA I´HEDOIS DU BOCAGE,nasceu em Setúbal às três horas da tarde de 15 de Setembro de 1765, falecido em Lisboa na manhã de 21 de Dezembro de 1805, era filho do bacharel José Luís Soares de Barbosa, juiz de fora, ouvidor, e depois advogado, e de D. Mariana Joaquina Xavier l'Hedois Lustoff du Bocage, cujo pai era francês.
Estátua de Bocage em SetúbalSua mãe era segunda sobrinha da célebre poetisa francesa, madame Marie Anne Le Page du Bocage, tradutora do "Paraíso" de Milton, imitadora da "Morte de Abel", de Gessner, e autora da tragédia "As Amazonas" e do poema épico em dez cantos "A Columbiada", que lhe mereceu a coroa de louros de Voltaire e o primeiro prémio da academia de Rouen.
Apesar das numerosas biografias publicadas após a sua morte, boa parte da sua vida permanece um mistério. Não se sabe que estudos fez, embora se deduza da sua obra que estudou os clássicos e as mitologias grega e latina, que estudou francês e também latim. A identificação das mulheres que amou é duvidosa e discutível.
A sua infância foi infeliz. O pai foi preso por dívidas ao Estado quando ele tinha seis anos e permaneceu na cadeia seis anos. A sua mãe faleceu quando tinha dez anos. Possivelmente ferido por um amor não correspondido, assentou praça como voluntário em 22 de Setembro de 1781 e permaneceu no Exército até 15 de Setembro de 1783. Nessa data, foi admitido na Escola da Marinha Real, onde fez estudos regulares para guarda-marinha. No final do curso desertou, mas, ainda assim, aparece nomeado guarda-marinha por D. Maria I.
Nessa altura, já a sua fama de poeta e versejador corria por Lisboa.
Em 14 de Abril de 1786, embarcou como oficial de marinha para a Índia, na nau “Nossa Senhora da Vida, Santo António e Madalena”, que chegou ao Rio de Janeiro em finais de Junho. Na cidade, viveu na actual Rua Teófilo Otoni, e diz o "Dicionário de Curiosidades do Rio de Janeiro" de A. Campos - Da Costa e Silva, pg 48, que "gostou tanto da cidade que, pretendendo permanecer definitivamente, dedicou ao vice-rei uma poesia-canção cheia de bajulações, visando atingir seus objectivos. Sendo porém o vice-rei avesso a elogios, fê-lo prosseguir viagem para as Índias". Fez escala na Ilha de Moçambique (início de Setembro) e chegou à Índia em 28 de Outubro de 1786. Em Pangim, frequentou de novo estudos regulares de oficial de marinha. Foi depois colocado em Damão, mas desertou em 1789, embarcando para Macau.
Foi preso pela inquisição, e na cadeia traduziu poetas franceses e latinos.
A década seguinte é a da sua maior produção literária e também o período de maior boémia e vida de aventuras.
Ainda em 1790 foi convidado e aderiu à Academia das Belas Letras ou Nova Arcádia, onde adoptou o pseudónimo Elmano Sadino. Mas passado pouco tempo escrevia já ferozes sátiras contra os confrades. Em 1791, foi publicada a 1.ª edição das “Rimas”.
Dominava então Lisboa o Intendente da Polícia Pina Manique que decidiu pôr ordem na cidade, tendo em 7 de Agosto de 1797 dado ordem de prisão a Bocage por ser “desordenado nos costumes”. Ficou preso no Limoeiro até 14 de Novembro de 1797, tendo depois dado entrada no calabouço da Inquisição, no Rossio. Aí ficou até 17 de Fevereiro de 1798, tendo ido depois para o Real Hospício das Necessidades, dirigido pelos Padres Oratorianos de São Filipe Neri, depois de uma breve passagem pelo Convento dos Beneditinos. Durante este longo período de detenção, Bocage mudou o seu comportamento e começou a trabalhar seriamente como redactor e tradutor. Só saiu em liberdade no último dia de 1798.
De 1799 a 1801 trabalhou sobretudo com Frei José Mariano da Conceição Veloso, um frade brasileiro, politicamente bem situado e nas boas graças de Pina Manique, que lhe deu muitos trabalhos para traduzir.
A partir de 1801, até à morte por aneurisma, viveu em casa por ele arrendada no Bairro Alto, naquela que é hoje o n.º 25 da travessa André Valente.
15 de Setembro, data de nascimento do poeta, é feriado municipal em Setúbal.
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in Wikipédia