domingo, 20 de abril de 2008

Lares: Donativos «compram» vagas!
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Segurança Social sabe da prática, mas admite ter dificuldade em actuar!
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Há lares sem fins lucrativos apoiados pelo Estado que «vendem» vagas em troca de avultados donativos, deixando em lista de espera os idosos mais carenciados, noticia a Lusa.
A própria confederação que representa as instituições de solidariedade reconhece que alguns lares «se vêem forçados a recorrer a esses estratagemas» para fazer face aos custos. A Segurança Social sabe da prática, que pode constituir um crime de burla, mas admite ter dificuldade em actuar.
No final de 2006, Graça (nome fictício) tentou pôr a mãe, então com 92 anos, no lar da Santa Casa da Misericórdia de uma vila transmontana, onde lhe pediram 15 mil euros. Disseram-lhe que «havia uma longa lista de espera e que se não pagasse davam a vaga a outra pessoa».
Perante a situação, os familiares decidiram procurar outros lares. Numa instituição de solidariedade social da área metropolitana do Porto, a mãe ficou em lista de espera, a aguardar uma resposta da direcção.
Passados alguns meses, Graça voltou a contactar a instituição de beneficência apoiada pelo Estado. A resposta já não a surpreendeu: «Disseram-me que iam ser francos, que havia pessoas em lista de espera dispostas a pagar cinco mil euros. Ficou decidido que se eu desse essa quantia, a minha mãe tinha uma vaga. Paguei mil contos, deram-me um recibo a dizer donativo e ela entrou logo».
Uma entre muitas
A história de Graça é apenas uma entre muitas, segundo a Rede Internacional de Prevenção da Violência Contra a Pessoa Idosa, que garante que situações como esta são generalizadas em Portugal.
«Não tenho nenhuma dúvida de que isso acontece em larga escala e que precisa de uma investigação judicial», disse José Ferreira Alves, representante português nesta rede internacional, classificando estes casos como «uma pouca-vergonha».
O próprio representante de Portugal também tem uma história para contar. Há cerca de 15 anos, o seu pai precisou de ir para um lar e, já na altura, teve de «dar mil e tal contos só para poder entrar».
«Não ficou nada registado, ficou tudo no segredo dos deuses», relata, adiantando que «a situação ainda acontece muito nas Misericórdias e nas instituições particulares de solidariedade social (IPSS)».
«Crime de burla»
O presidente do Instituto da Segurança Social (ISS), Edmundo Martinho, sublinhou que «a pressão para dar donativos em troca de uma vaga é completamente ilegal e constitui um crime de burla».
«A grande maioria das instituições não utiliza essas práticas, mas sabemos que essa realidade existe. Já nos chegaram cartas, algumas das quais anónimas, a relatar essas situações», afirmou o responsável do ISS.
Edmundo Martinho garante que o instituto tentou investigar os casos, mas afirma que «é difícil provar que os idosos foram pressionados a fazer um donativo para assegurar a vaga e que só entraram porque deram esse dinheiro».
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in Jornal "Portugal Diário" - edição online - 20.04.07
A. Anacleto

Peripécias da Minha Juventude - Memórias...

… numa noite, durante um baile em Moitas Venda, despi a minha inseparável "amiga de Inverno" – Samarra, a fim de dançar uma “moda” ao som do acordeonista Moreira de Minde. Pedi, simpaticamente à mãe da moça, que aceitou a dança, e se encontrava, tal como outras mulheres, sentada numa das tábuas que delimitava o recinto de dança, se “guardava” a samarra. A senhora simpaticamente aceitou o meu pedido. Entretanto, dê-lhe conhecimento que o bolso interno do agasalho, continha uma “telefonia!”, por isso tivesse cuidado! Enquanto dançava com a filha, notava o cuidado da senhora protegendo a samarra para que não acontecesse nenhum acidente com a “caixinha da música!”
A “telefonia”, era uma “pilha de formato quadrado!”, que eu levava, para uma eventual avaria nocturna nas “pasteleiras” (bicicletas) que nos faziamos transportar…
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in "Meio Século de Vida - Memórias" - A. Anacleto

Narrativas da Minha Aldeia!..

“A Honra das Gentes”

Até finais da década de cinquenta, a Honra, era algo que tinha ligação quase com tudo da vida das pessoas e que mais valor tinha, nas gentes das aldeias. No burgo louriceirense não se fugia à regra.
Uma ofensa que fosse considerada grave pela população, era em alguns casos selado com uma rixa.
Se uma mulher fosse infiel ao marido, ele próprio, quase podia fazer justiça por mão própria, para salvar a sua honra.
A virgindade de uma rapariga era sua honra ao casar. Caso isto não acontecesse podia ser devolvida à família e passava a ser “apontada” por toda a aldeia!
Se uma moça, fosse surpreendida a beijar um rapaz, tinha de casar com ele. Se porventura, não acontecesse, jamais, conseguia o matrimónio, porque mais nenhum moço, a procurava para casamento, sendo considerada uma rapariga sem honra! No entanto, se algum rapaz, «desonrasse» uma rapariga e fosse descoberto pela população, era obrigado a casar com ela, mesmo que não a amasse. Caso contrário, seria participado às autoridades e era julgado pelo feito.
Hábitos e Tradições das gentes de outras épocas!...
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A. Anacleto

Narrativas da Minha Aldeia!..



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“Comodidades e Higiene”

Até meados da década de sessenta, na aldeia louriceirense, as comodidades e a higiene eram mínimas.
Não existia electricidade nem água canalizada. Casas de banho, eram raras, apenas em algumas habitações das famílias Abastadas, existia essa comodidade. As necessidades fisiológicas eram feitas nos currais dos animais, nos pátios ou nos quintais das modestas habitações. A iluminação era feita através de candeias de azeite ou candeeiros a petróleo. O abastecimento de água era feito através de idas a poços ou às fontes comunitárias. Eram as mulheres, com cântaros à cabeça, que se deslocavam a aqueles locais, buscando água para as suas habitações. Em alguns casos era uma “romaria”, pois as mulheres e as moças, iam diariamente várias vezes a aqueles locais abastecerem-se.
Era nestes locais, que as mulheres, enquanto esperavam pela sua vez para encherem o cântaro, trocavam um “dedo de conversa”, e se davam a conhecer as “novidades” da aldeia. As moças, aproveitavam para se “cruzarem” com os namorados, já que na época só era permitido namorar à Quarta-feira e ao Domingo.
Era também durante estas idas à fonte, que os rapazes sem namorada, aproveitavam para trocar um olhar “maroto” às moças e, com alguma timidez lhe solicitarem o “namorico”.
A higiene, tanto corporal como da roupa era feita com sabão. Em algumas situações, também se utilizava a potassa. As famílias Mais Pobres, por vezes, tinham que recorrer a uma “barrela de cinzas” para a lavagem da roupa.
Em anos de seca, a situação complicava-se com a quantidade de água nas fontes e nos poços da aldeia. Voluntariamente, fazia-se racionamento no consumo da água.
Por vezes tinham que decidir: - “ou regar os legumes para subsistência da família, ou manter a higiene diária!”
Como se trabalhava nos campos de “sol a sol”, os pais saíam antes do nascer do sol para a faina, deixando os filhos em casa, muitos deles, não sabendo fazer minimamente a sua higiene pessoal!
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A. Anacleto

Tradições Populares

“Matança do Porco”

Era Domingo.
Antes do sol nascer já os convidados da família alargada do Ti João Duarte entrava no pátio de estrume e mato, coberto de tojo e alecrim.
“A arte da matança não é p´ra qualquer um”, dizia o Ti João Duarte, que dava ordens ao Julião para ir buscar a banca e ao Joaquim para trazer a corda, a roldana e o chambaril.
O dono da casa continuava a dar ordens a toda a gente e gritava:
“Ó Jaquina, trás lá os alguidares, a colher de pau, a cebola, o sal e o vinagre!”
E resmungava: “Raio das mulheres qu´é preciso dizer-lhes tudo!”
Era uma roda viva.
O Julião, o Jaquim e o Mateus foram buscar o porco à pocilga, preso por uma corda a um pé, e conduziram-no até à banca.
Ali, amarraram-no de pés e mãos, com a ajuda dos homens mais valentes, e içaram o animal para cima daquele estrado da morte.
O bruto, de algumas arrobas, grunhia e esperneava como que adivinhasse o fim que o esperava.
As mulheres cavavam um buraco no chão do pátio para onde acarretavam tojo, mato e lenha.
Ti João Duarte, de calças justas, jaleca e barrete enfiado na cabeça, lavava, com água quente, a goela do porco, que não parava de guinchar, apertado, no patíbulo, por quatro homens de mangas arregaçadas.
Ti Jaquina coloca debaixo da banca o alguidar de barro onde havia posto o vinagre, o sal e a cebola.
O magarefe, agora com um avental a tapar-lhe a jaleca e as calças apertadas, e de grandes panos atados à cintura, depois de afiar o facalhão de dois gumes no fuzil, crava-o, num gesto rápido e frio, na goela do animal.
O sangue esguicha para o alguidar onde é mexido com a colher de pau pela mão da Ti Jaquina. O porco guinchou, guinchou, até que deu as últimas.
Julião, de forquilha em punho, acarreta o tojo a arder para cima do morto, a fim de o chamuscar.
Outros homens, com facas e cacos de telha, raspam o porco que vai ficando mais limpo.
Descalçam-lhe as unhas, lavam-no com água bem quente e, por fim, cortam-lhe as orelhas e o rabo.
De volta da fogueira, agora com ignição, o grupo assiste à assada.
Os cachopos furam por entre as pernas dos adultos, na esperança de lhes calhar um quinhão.
No barracão, uma mesa muito grande com pão caseiro, azeitonas e água-pé, vai ser o centro da festança.
Enquanto isto, Mateus e Julião enfiam o chambaril nos pernis do sacrificado, a uma ordem do Ti João Duarte e, puxando pela corda, através da roldana, presa na trave do barracão, penduram o animal que ali fica a escorrer para dentro dum “tinajo”, depois de ser aberto e de lhe tirarem a bexiga, disputada pela rapaziada para fazer de bola de futebol; o fígado, os bofes, os rins, o baço, o coração e a toalha das tripas, tudo migadinho para dentro duma sertã com azeite, vinho tinto e temperos a fim de preparar o almoço a que dão o nome de cachola; as tripas que hão-de ser lavadas com sal e limão no Rio Alviela, numa corrente de água cristalina, com a ajuda de uma vara fininha.
Uma balança de pilão, presa à trave, ao lado do porco, reza o peso limpo.
A cachola já cheira bem.
Há alegria estampada no rosto de toda a gente.
A grafonola ajuda. A pinga, também.
Dois homens fazem cigarros com tabaco «Duque» e mortalhas de papel «Zig-Zag».
As raparigas, numa roda, dançam e cantam:
- O Saramago é que atrasa
- A seara ao lavrador
- Bem atrasada qu´eu ando
- De falar ao meu amor.
Ti João Duarte pega na concertina de duas escalas e toca um corridinho que faz toda a gente andar numa fona.
“Todos prá mesa” – grita a dona da casa.
E lá se vão chegando, deixando a testeira para o Ti João Duarte.
Falam todos ao mesmo tempo, euforicamente.
Conta-se o que foi a vida daquele animal e das canseiras que deu, animal sacrificado para a legria do grupo e o sustento de luxo daquela família.
O resto do dia é acompanhado com água-pé nos intervalos dos preparativos para a tarefa da desmancha que há-de ocorrer no dia seguinte.
Estamos na segunda-feira, e porque é dia de trabalho, o grupo só volta a reunir-se à noitinha para o jantar de febras fritas, no azeite, com louro e alho.
“Jaquina” – chamou o marido – “onde raio puseste tu o serrote e o cutelo?”
Finalmente o porco começa a ser desmanchado.
Separam-se as diversas partes.
O toucinho, depois de preparado, vai para a salgadeira.
A banha para fazer, ainda hoje, as farinheiras.
As carnes negras de sangue são migadas para a feitura do chouriço negro que leva vinho tinto, sangue, cominhos, cravo de cabeça, pimenta e sal, tudo de marinada durante quatro dias num alguidar de barro.
As carnes magras são, igualmente, cortadas em pedacinhos para fazer o chouriço de carne e colocam-se noutro alguidar com vinho branco, pimentão, louro, alhos e sal, até que ao fim de cinco dias hão-de encher a tripa.
Chega-se a quarta-feira. É dia de encher os negros, atar e pôr no fumeiro.
As mulheres pegam na tripa e enfiam nela uma enchedeira – género de funil – por onde empurram as carnes negras, com a ajuda dos polegares.
O resto, a que chamam o caldo dos negros, será o jantar de amanhã, de novo, para toda a família, tal como aconteceu hoje e que foi constituído de tripas com arroz e nabiça, manjar delicioso, a julgar pela sofreguidão de todos.
Ti João Duarte faz o balanço destes quatro dias bem passados e marca a data para comprar no mercado de Pernes, o leitão que há-de fazer a festa igual, daqui a um ano.
Nessa altura lá estarão todos, Outra vez. No mesmo ritual.
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in “Nossa Terra, Nossa Gente” – José da Luz Saramago
Publicado no Jornal "O Alviela" - 08-07-1991

sábado, 19 de abril de 2008

Narrativas da Minha Aldeia!..

“ A Vida Económica e Social das Famílias da Aldeia”

As famílias louriceirenses em épocas remotas (até finais da década de cinquenta), dividiam-se em quatro classes:
- Famílias Abastadas, rodariam cerca de 5 % da população;
- Famílias Médias, seriam cerca de 15%;
- Famílias Pobres, rodariam 65%;
- Famílias Muito Pobres, seriam cerca de 15%
Estas percentagens, são um mero cálculo, pelas recordações que tenho da vida social de então na aldeia.
Era notório a diferenciação social de cada família. Notava-se na demonstração dos bens próprios.
As famílias Abastadas, possuíam bens próprios já elevados, que denotavam alguma riqueza. Eram estas famílias que garantiam a sobrevivência às famílias Pobres e Muito Pobres, dando-lhes trabalho à jorna durante quase todo o ano. No entanto, em alguns casos, existiam algumas discriminações - se decidissem deixar algum pobre sem trabalho, assim o faziam! Estes, vendo os filhos com fome e sem solução para o problema, partiam, indo procurar jorna em locais distantes da aldeia.
As famílias Médias, possuíam também bens próprios, mas em menor quantidade que as Famílias Abastadas. Além de prestarem as próprias tarefas nas suas terras, em alguns casos ainda iam fazer algum trabalho para as famílias Abastadas.
As famílias Pobres, viviam em casas com medíocre condições. Em alguns casos, possuíam algumas pequenas parcelas de terrenos aráveis, além de possuírem um burro, duas ou três cabeças de gado caprino ou ovino e algumas aves de capoeira. Viviam na generalidade do trabalho agrícola à jorna.
As famílias Muito Pobres, viviam numa situação mesmo complicada. As condições das suas habituações eram mínimas, não possuíam qualquer parcela de terreno de cultivo nem possuíam animais. Viviam do trabalho à jorna e em algumas situações da ajuda de alguma família mais abastada.
Nas famílias Pobres e Muito Pobres, o “chefe da família”, era o principal responsável pela sobrevivência da mesma. Mas regra geral, seria a família toda a trabalhar à jorna, inclusive os filhos, que em muitos casos nem a escola frequentavam! A fome, o frio, e até os “parasitas”, eram a companhia destas crianças. A maioria passavam o tempo na rua, enquanto os pais trabalhavam nos campos, roubando fruta para um melhor equilíbrio nutricional. Enquanto os meninos Abastados ou Médios, já tinham um ou outro brinquedo, os das famílias Pobres, não os possuíam. Eram eles com imaginação que faziam os próprios, a partir de pedaços de arame, de aros ferrugentos ou de velhos trapos abandonados pelos mais abastados.
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A. Anacleto

Narrativas da Minha Aldeia!..

"As Autoridades Locais"

Antes, durante e depois da minha infância, mais concretamente até ao ano de 1974 (Ano da Revolução dos Cravos), não se realizavam eleições livres para os cargos mais importantes da freguesia.
Esses cargos eram na altura desempenhados por pessoas que tinham “boas referências”, junto das altas instâncias concelhias e distritais.
O Padre, naqueles tempos tinha uma decisão importante nos destinos da terra. Além do cargo religioso, era um personagem escutado em situações consideradas importantes para a freguesia. Em algumas situações era ele, que dava o veredicto final.
Outra autoridade importante da freguesia era o Regedor. As competências deste, era a coordenação da “ordem” na aldeia, no campo administrativo, dava despacho a documentos necessários para a resolução de algumas “situações” que surgiam no burgo!
A Junta de Freguesia era constituída por três elementos, que coordenavam algumas obras locais. Era frequente naqueles tempos, este órgão, passar atestados de pobreza às famílias que viviam sem quaisquer recursos de subsistência, quando algum elemento da família necessitava de internamento hospitalar ou dar uma “informação abonatória” a favor de algum habitante local.
Outra autoridade local, era o “Cabo da Ordem”. Como autoridade civil, e como o nome indica, competia a este elemento manter a “ordem”, coordenados pelo Regedor. Tinha inclusivamente autoridade para dar ordem de prisão, caso entendessem necessário! Após a detenção, tinha de conduzir o detido até à prisão concelhia, que ficaria à ordem das autoridades oficiais, no caso era a Guarda Nacional Republicana.
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A. Anacleto

Opinião!...

"A Dificuldade de Ser Jovem!...

Nos tempos actuais, a maioria dos jovens encontram-se numa situação inquietante, em relação ao acesso de um emprego.
Os que decidem completar os estudos secundários e ingressar num curso superior, dedicam uma parte espinhosa da sua vida para conseguirem o tão almejado diploma.
Para obterem esse mesmo diploma, muitos acabam por se endividarem, em alguns casos ainda antes de auferirem o primeiro ordenado, contraindo empréstimos para pagarem cada vez mais elevadas propinas e materiais escolares, de uma educação que está determinada na constituição como pública e gratuita.
A maioria desses jovens, cedo começam a perceber que a realidade do mercado do trabalho é bem mais árdua do que alguma vez imaginaram.
O mercado de trabalho está saturado para muitos dos cursos superiores. Os governos ao longo dos anos, pouco ou nada têm feito, no alerta para este facto e simultaneamente disponibilizar outras saídas com mais garantias de empregabilidade.
São mais pelotões de jovens a engrossar as filas nos centros de emprego, nos quais são embutidos estágios, fazendo com que eles, jovens, trabalhem por “metade do preço”, não existindo nenhum vínculo contratual com as empresas onde efectuam os estágios.
Actualmente, entrar para o “mundo do trabalho”, através de trabalho temporário ou através de falsos recibos verdes, começa a ser incutido nas mentes dos jovens, como uma situação meramente natural, sendo visto, inclusive por alguns, como única forma de se conseguir trabalho. Fica a ideia de que os contratos precários são a regra geral e não a excepção à regra, quando a lei para esta matéria é bastante clara: “para um posto de trabalho efectivo deverá existir um vínculo contratual efectivo”.
A precariedade está mesmo criada. São os salários baixos da maioria dos jovens, são as deficientes condições de trabalho, são as reduções de direitos adquiridos, são as discriminações sociais e laborais.
Em suma, não nos consideramos pessimistas, mas no fundo somos realistas. A nossa mente, neste campo problemático, tranmite-nos algo pouco feliz para a maioria da juventude deste país!
Perguntamos? Onde estão os milhares de postos de trabalho que foram prometidos?!
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A. Anacleto

Tradições Populares

“O Homem da Loiça”

Ao longe ouve-se uma música de feira, que se vem aproximando.
O camião pára no largo.
O altifalante canta, pela voz de Amália Rodrigues.:
“… São os caracóis, são caracolitos
São os espanhóis, são espanholitos…”
E logo interrompe para gritar:
“Venham ver a loiça”.
“São os copos de vidro, alguidares de barro, vasos, jarros de vidro e muin...ta, muin…ta loiça”.
“É tudo barato…”
“Venham ver!”
“É o homem da loiça”.
“Venham ver a loiça!”
As mulheres juntam-se em frente do camião das surpresas e, aos poucos, vão apreciando.
Tudo faz falta: copos, canecas, pratos e muita, muin…ta loiça.
Tudo o que ali está faz grelar o olho. Porque não se tem ou, simplesmente, para substituir peças já muito usadas.
No entanto o negócio do homem da loiça é fraco. E logo parte para outras terras porque tem que vender tudo.
Tudo barato.
Porque ainda tem muin…ta loiça.
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in "Nossa Terra, Nossa Gente" - José da Luz Saramago
Publicado no Jornal "O Alviela" - 08.07.1991

Louriceira - Recordando as Festas!...

Anos de 1991, 1992, 1993 e 1994

Neste período não se realizaram os festejos na freguesia.
Já se notava alguma falta de mobilização nas gentes desta aldeia para a realização dos festejos. Mais tarde, uma “Filarmónica” tocaria mesmo a “marcha fúnebre” em memória das grandiosas “FESTAS DA LOURICEIRA”!
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No Ano de 1995 foi o regresso das Festas De Verão, infelizmente por um ano!
Dias 4, 5, 6 e 7 de Agosto

•Sexta-feira, início das últimas estas deste ciclo das décadas de setenta, oitenta e noventa. Houve foguetório ao final da tarde para dar início aos festejos com a abertura da quermesse. Á noite houve magia com o ilusionista “Mister Mário” que viajou de terras beirãs – Tortosendo. O serão foi animado musicalmente pelo conjunto de renome nacional “Os 6 de Portugal”, que viajou da capital.
•Sábado, a alvorada foi enorme e a Banda Filarmónica da Azinhaga participou no içar da bandeira. Seguiu-se de imediato o peditório acompanhado pelo fogueteiro que não deixava por mãos alheias os foguetes que tão bem eram lançados. Á tarde foi a actividade solene religiosa com a habitual missa e procissão na qual participou a Filarmónica. Depois foi a euforia da compra das rifas na quermesse, o saborear do petisco no bar e o leilão das fogaças para serem saboreadas por quem mais licitou. A noite foi preenchida alegremente pelo conjunto musical alfacinha “Star Band” que não deixaram descansar os pés dos foliões.
•O Domingo aqueceu com a elevada temperatura climatérica, com o calor dos foguetes e com o calor das máquinas que aceleraram na Prova Perícia Automóvel. No arraial, era a voz do leiloeiro que mais se notava com a inspiração na licitação das prendas. A jovem artista ADÍLIA PEDROSO natural da freguesia vizinha de Moitas Venda, actuou com elevada qualidade para o vasto público presente. A noite teve cultura popular com a exibição das “Cantadeiras de Caria”, que viajaram de terras de Belmonte para trazerem a cultura do seu povo aos ribatejanos, enquanto o célebre conjunto “Níger” de Torres Novas sobressaía com uma actuação extraordinária ao apresentar música de baile com mais incidência dos anos sessenta.
•Segunda-feira, foi o último dia. Último dia dos festejos do ano e deste ciclo. Até à actual data jamais se realizaram na nossa aldeia louriceirense. Pareceu-nos que se adivinhava este fim, já se notava alguma tristeza nas gentes desta simpática aldeia. Mas mesmo assim, a alvorada ainda foi forte, os Jogos Tradicionais à tarde ainda se realizaram com entusiasmo e a noite foi grandiosa com a actuação do artista de renome internacional EMANUEL que foi acompanhado pelas bailarinas privativas as quais criaram um excelente cenário no palco da última festa da Louriceira. Completou o serão musical o conjunto “Costa Azul” que viajou da região de Lisboa para deixar saudade nas gentes louriceirenses. Raiou naquela madrugada uma estrela que trazia uma triste mensagem: “FOI O FIM DAS FESTAS NESTA SIMPÁTICA ALDEIA LOURICEIRENSE”!
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in "memórias das festas" - A. Anacleto

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Épocas de Outrora...



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Nas imagens reproduzidas, estão os personagens que constam nos excertos do livro “Meio Século de Vida – Memórias” que o autor tem vindo a reproduzir neste espaço.
São quatro jovens, nascidos nos finais da década de quarenta. Fizeram a adolescência n a década de sessenta. Década, na qual, se deram enormes e importantes transformações sociais na Europa e no mundo em geral, tal como, as lutas estudantis e operárias em Paris (1968). No campo musical, surgiram enormes grupos pop, dos quais destacamos os Beatles, Roling Stones, Doors e outros. Por cá, destacamos os Sheikes, Gatos Negros, Conchas e Conj. Académico de João Paulo.
Temos consciência, que contribuímos, para transformações profundas nos preconceitos que até então existiam, como exemplo o namoro à porta, à janela ou ao postigo da habitação dos pais da futura noiva, ou não ser permitido o beijo (símbolo do amor) em público.
Sempre namorámos em casa das nossas namoradas, (hoje nossas esposas) e beijámos com respeito e dignidade as nossas amadas.
Lutámos pela extinção e vencemos no preceito, do “dançar à distância” nos bailaricos populares da terra. Vestimos as nossas primeiras calças de ganga, que deram mais força à nossa frutuosa “rebeldia”!
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A. Anacleto

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Tradições Populares

"O Lobisomen"

Regressando de um bailarico no Malhou, naqueles anos quarenta em que as noites de luar tinham mais mistério, um grupo de jovens ao passar pelo adro da igreja de Louriceira, deparou-se com um burro a pastar.
Logo apostaram em quem, nele montado, fizesse a volta mais rápida em torno da igreja e do cemitério.
Um minuto foi o tempo que o Jorge levou. Cinquenta segundos para o Manuel, cinquenta e cinco para o Chico… e chegou a vez do António que, tendo-se em conta de ser o mais esperto, tirou o cinto das calças e passou-o pelo pescoço do animal, a fim de tirar proveito para uma corrida mais rápida.
Dada a partida, logo o asno e o seu jóquei desapareceram na esquina pardacenta do cemitério. Mas porque o tempo corria muito para além do previsto e o cavaleiro não aparecesse, o grupo resolveu ir procurá-lo.
O jumento tinha-se sumido, mas o António ali estava estendido no chão, atrás do cemitério, inanimado. Chapada daqui, chapada do outro lado, o rapaz lá acordou e logo indagou do burro e do seu vistoso cinto, que tinha estreado pelas sortes.
Qual cinto, qual carapuça, procuraram, procuraram, mas nada.
No dia seguinte, na taberna do Bernardo, como sempre lá estava o Ti-Jaquim Maior, encostado ao balcão. Mas desta vez com o bonito cinto do António a apertar-lhe as calças.
Que teria acontecido?
Claro que só poderia haver uma explicação: o Ti-Jaquim Maior seria o tal lobisomen de quem muito se falava e temia e que, enquanto burro naquela noite, teria levado consigo, preso ao pescoço, o precioso cinto.
E daí ficou a “certeza” de que Ti-Jaquim Maior, às Sextas – Feiras, pela meia-noite, saía de casa e logo se transformava no animal de cuja pegada tinha pisado no primeiro cruzamento de ruas que encontrasse.
Então o infeliz seria burro, cão ou boi durante toda a noite até que uma alma caridosa pegasse numa vara com aguilhão e o picasse para se transformar, de novo, em ser humano.
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in “Nossa Terra, Nossa Gente” – José da Luz Saramago
Publicado no Jornal “O Alviela” em 09.05.1997
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E assim vivia o povo com as peripécias, contos e histórias populares em épocas remotas!...

Louriceira - Recordando as Festas!...

Em 1990, foram assim as Festas de Verão:
- Dias 3, 4, 5, 6 e 7 de Agosto -

•Sexta-feira, após uma grandiosa salva de morteiros, a quermesse começou a funcionar, enquanto algumas pessoas se juntavam no adro da igreja, para matarem a sede com uma boa cerveja, já que a tarde estava quente em termos de temperatura. O conjunto “Templários”, viajou uma vez mais da cidade de Tomar até terras do Alviela, para animarem o serão. Boa música de dança nos foi transmitida por aquele agrupamento.
•No Sábado as gentes da terra, cedo se ergueram para a folia. Ainda soavam os sons dos foguetes, quando chegou a Banda Filarmónica do Xartinho para animar este dia de festejos. Durante a tarde, depois das actividades religiosas, foi o funcionamento da quermesse e o leilão das fogaças, enquanto algumas fogaceiras escutavam os acordes musicais transmitidos pela Filarmónica. Á noite o sentido obrigatório era de facto o arraial da festa. Foi isso que o conjunto musical nos transmitiu com o seu nome próprio “Sentido Obrigatório” que veio de terras alfacinhas. O povo mais uma vez divertiu-se imenso, enquanto trocavam um pé de dança.
•No Domingo á tarde houve leilão forte enquanto as raparigas iam vendendo as rifas na quermesse. “Top Less”, mais uma vez foi o conjunto seleccionado para a animação do serão.
•Segunda-feira, dia e noite fortes em termos de qualidade de programação. O leilão das prendas ofertadas foi enorme, que levou mesmo o leiloeiro a solicitar diversas vezes aplausos para o povo que estava a corresponder com a licitação das peças. Os artistas da rádio e televisão ARMANDO GAMA e VALENTINA TORRES, foram o prato forte da noite em conjunto com o agrupamento musical “Herus” de Torres Novas.
•Na Terça-feira, durante a tarde desenrolaram-se os tradicionais Jogos Populares. A noite foi animada com o grupo musical “FH5” da cidade do Nabão.
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in "memórias das festas" - A. Anacleto

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Efeitos do Tornado

Metalúrgica Olimar de Alcanena continua a laborar a céu aberto para não comprometer carteira de clientes
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Sem a cobertura, a empresa Olimar, afectada pelo tornado de há uma semana, continua a laborar para não comprometer uma carteira de clientes que inclui grandes empresas como a Cimpor ou a Somague.
Maria Olívia Ramilo diz que só teme o regresso da chuva, anunciada para o fim do dia de hoje.
"Se chove, temos mesmo de parar", disse à agência Lusa, confessando que o inventário dos estragos provocados pelo tornado de há uma semana está longe de estar completo.
Além da cobertura da fundição, que voou com os fortes ventos, as chuvas daquele dia afectaram a parte eléctrica da iluminação, as pontes rolantes e grande parte dos moldes, sobretudo os feitos em madeira.
"A situação nunca estará remediada antes de dois a três meses", disse, sublinhando que, além da cobertura, também as paredes "têm de ser repostas".
Além dos estragos na fábrica, há ainda viaturas dos funcionários e de vizinhos danificadas, disse, adiantando que o seguro apenas cobre parte dos estragos.
A Olimar emprega 52 pessoas, havendo outra empresa no mesmo espaço com mais quatro funcionários, afirmou.
Esta é a segunda vez que a Olimar fica a trabalhar a céu aberto.
Em 1996, um incêndio destruiu a cobertura da fábrica, "mas como era Verão pudemos continuar a trabalhar e os moldes não foram afectados", afirmou Olívia Ramilo
A laborar desde 1946, a Olimar, sociedade familiar, além do fabrico de máquinas para trabalhar (cortar e polir) mármore e granito, faz a manutenção dos redutores de grandes empresas e barragens.
Segundo aquela empresária, a empresa exporta máquinas para Espanha, Brasil, Marrocos, Tunísia, Estados Unidos, Reino Unido (sobretudo máquinas para polir mármores), Brunei e está "a entrar em Angola".
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Fonte Lusa
A.A.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Louriceira - Recordando as Festas!...



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Em 1989, as Festas de Verão foram assim:
- Dias 4, 5, 6, 7 e 8 de Agosto -

Os festejos deste ano, também ficam na história da cultura popular da freguesia, pela qualidade de espectáculos e actividades diversificadas que foram organizadas com um grau elevado de inteligência, por parte dos festeiros e festeiras que fizeram parte da Comissão de Festas deste ano. Ora vejamos:
•Sexta-feira, a meio da tarde após uma grande salva de morteiros, iniciou-se a Arruada com a colaboração da Fanfarra dos Bombeiros de Alcanena, enquanto no recinto do arraial, era o início de iniciativas inéditas na história dos festejos louriceirenses, com trabalho ao vivo realizado por artesãos da região, exposição literária e exposição do pintor plástico João Esteves. Estas exposições, estiveram patentes ao público durante todos os dias dos festejos. Durante a noite, houve alegria por parte do povo residente e forasteiro, com a exibição de música de baile do conjunto “Hob Nob”.
•No Sábado, após o acordar da alvorada, chegou a Filarmónica de Alcanede mais uma vez à nossa terra. Cumprimentaram com uma música os presentes, enquanto o fogueteiro com a sua mestria lançava mais uns foguetes, foi içada a bandeira e iniciou-se o peditório na freguesia. Á tarde foram as solenidades religiosas com a missa e a procissão, depois, como costume iniciou-se a venda das rifas na quermesse e das flores com a colaboração de gentis e simpáticas meninas da terra. O leiloeiro preparava-se em cima do palco para leiloar as belas fogaças e a filarmónica apresentava com uma boa interpretação musical um concerto inolvidável. Ao fim da tarde, enquanto o povo ia confraternizando no bar, subiu ao palco o Rancho Folclórico de Pinheiro Grande – Chamusca que interpretou “modas e danças” do povo ribatejano. A noite foi quente, tanto em termos de temperatura, como pela qualidade do concerto proporcionado pelo conjunto “Ferro e Fogo”.
•No Domingo, pela manhã após o estrondear do “foguetório” o desporto marcou presença com a realização do Grande Prémio de Atletismo, que contou com a presença de grande número de atletas, seguindo-se depois uma extraordinária exibição de uma classe de Karaté da Associação Amicale Portuguesa. Após o almoço no bar, o qual foi muito participado, os mais pequenos tiveram a sua tarde com a exibição de palhaços que vieram propositadamente do Circo Mariano. Enquanto estes se divertiam com o espectáculo proporcionado, os mais graúdos iam praticando alguns Jogos Tradicionais. À noite, as estrelas brilharam com o espectáculo de variedades proporcionado pela artista da rádio e TV – MARIA DILAR com apresentação e animação do locutor da rádio nacional PAULO MEDEIROS. O conjunto “Psicose” animou o baile.
•Se os dias anteriores foram de qualidade, a Segunda-feira que foi dedicado ao concelho, também teve primor em termos de qualidade festiva. Assim durante a tarde realizaram-se as finais dos Jogos Tradicionais, o leilão de inúmeras prendas de qualidade foi um êxito, até o leiloeiro perdeu a voz... Inéditamente a Poluição na região também foi discutida. Realizou-se um Colóquio com grande participação, no qual estiveram presentes técnicos e médicos que falaram sobre a problemática ambiental. A noite foi animada pelo conjunto musical “Street Band”, o qual animou o grande número de foliões até alta madrugada.
•Terça-feira, dia da Família Louriceirense, houve alvorada forte logo pela manhã. Á tarde, enquanto alguns praticavam os Jogos Tradicionais, outros, casados e solteiros, conviviam uma vez mais no “pelado” da Pedrinha, realizando o habitual jogo de futebol. A Gincana de Bicicletas, também marcou presença este ano nos festejos da terra e uma vez mais, o Grupo Cénico do CRDL, representou uma peça de qualidade para as suas gentes e forasteiros. Durante a noite foi o culminar, das festas de qualidade deste ano. O grupo musical de Minde “Top Less” fez as despedidas das festas deste ano, proporcionando um bom serão de lazer e convívio com belos acordes musicais.
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in "memórias das festas" - A. Anacleto

A Nossa Terra!...



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A arquitectura do Largo Luís Camões, na Freguesia de Louriceira, ao longo das épocas.
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A. Anacleto

domingo, 13 de abril de 2008

Recordações da Minha Infância - Memórias

…está na minha rememoração, as idas com minha mãe no verão ao Rio Alviela. Enquanto ela e outras mães, lavavam a roupa nas águas cristalinas de então, nós os meninos tomávamos uma “banhoca”, brincando com as rãs.
Era lindo, ver a brancura da roupa, enxugando ao sol nos relvados verdejantes das margens do Alviela.
Nas noites frias de Inverno, ficava feliz sentado ao lume na chaminé, entre os meus pais.
Enquanto nos aquecíamos, o pai, contava alguns contos e a mãe, assava nas brasas, algumas bolotas ou castanhas.
Nas tardes de Domingo, meu pai, “vaidoso”, levava-me a passear na velha bicicleta, pelas estradas da região em má conservação. Recordo as dores que na altura sentia, quando a “pasteleira” passava por um buraco mais profundo, ou saltava por cima de uma pedra mais sobressaída, nas estradas tortuosas do concelho e arredores!….
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in "Meio Século de Vida" - Memórias
A. Anacleto

sábado, 12 de abril de 2008

Recordações da Minha Juventude - Memórias

…lembro a alegria do Loureiro, quando fez a aquisição do “avião” (nova motorizada), que passados uns dias não fugiu à tentação de “acelerar a fundo”, fazendo o “baptismo” da mesma – felizmente não sofreu grandes mazelas!
Vejo na minha parede de fundo, a imagem feliz do Salgueiro quando nos apresentou a “nova máquina” – Sachs V5, de facto uma “bomba” para a época. Fiz a “estreia” da mesma, com uma queda na estrada esburacada do Vale das Vides, junto à “Soja dos Quartos”, sofrendo algumas escoriações!
Foi-me útil, o pano para limpeza do calçado, que sempre nos acompanhava para limpar a lama ou o pó dos mesmos, antes da entrada nas salas de baile. As “flausinas”, contemplavam as calças à “boca de sino” e o brilho dos sapatos!...

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in "Meio Século de Vida" - Memórias
A. Anacleto

Louriceira - Recordando as Festas!...

Em 1988, o verão festeiro em Louriceira,foi assim:
Dias 5, 6, 7, 8 e 9 de Agosto

•O primeiro dia das festas deste ano, Sexta-feira, iniciou-se com uma salva de morteiros ao fim da tarde. Á noite houve luar de prata com a interpretação do grupo musical “FH5” que viajou da cidade dos Templários para animar a juventude louriceirense e arredores, enquanto os mais idosos saboreavam o petisco no bar do arraial.
•No dia seguinte, Sábado, a alvorada foi “cedinho” para não se perder tempo com a azáfama que ia ser longa até madrugada. Assim, a Filarmónica 1º de Dezembro da Azinhaga do Ribatejo chegou à aldeia pela manhã, que saudou os festeiros e acompanhou no içar da bandeira. Depois do peditório à população, houve o almoço para armazenar algumas energias para a tarefa da tarde. Cerca das quinze horas iniciou-se a missa solene, seguindo-se a habitual procissão pelas ruas principais da freguesia. Após a chegada da procissão à igreja, iniciou-se o movimento da quermesse, aliás muito bem recheada de prendas, algumas meninas iam vendendo flores e alguns festeiros procediam a mais um peditório desta vez aos forasteiros que nos visitavam. A inspiração do leiloeiro era enorme no leilão das fogaças. O fogueteiro não parava com a azáfama do lançamento dos foguetes, a banda de vez em quando lá ia tocando uma “marchinha ou um paso doble” para animar o povo. A noite aproximava-se, e os técnicos privativos do conjunto “Ar & Vento” que viajou de Leiria para animar as gentes da terra e arredores, enquanto uns faziam um pé de dança outros saboreavam no bar os deliciosos petiscos regados com a boa pinga.
•No Domingo lá partiram os festeiros cedo para o lugar do Carvalheiro para procederem ao peditório naquele lugar, enquanto na Louriceira havia mais foguetório para anunciar mais um dia de festa. A tarde deste terceiro dia de festa foi de qualidade. Houve palhaços para os mais pequenos, João Esteves expôs a sua obra de pintura na sua terra natal, e o folclore marcou presença com a exibição do Rancho Folclórico da Azinhaga do Ribatejo. Se a tarde foi enorme em termos de qualidade de espectáculos a noite não escureceu, o conjunto “Hob Nob” entusiasmou novos e menos novos ao realizarem um belíssimo concerto musical animando o baile naquela noite de estrelas. Quando JOSÉ MALHOA subiu ao palco com a sua filha ANA MALHOA, o arraial ficou ao rubro com a exibição daqueles artistas de renome internacional. A alegria marcava presença no bar e no restaurante.
•Na Segunda-feira, os louriceirenses após dormirem poucas horas, mais uma vez acordaram ao som dos foguetes lançados do ponto mais alto do lugar. Durante a tarde enquanto se leiloavam diversas prendas algumas delas de elevado valor, procedia-se aos Jogos Tradicionais (Corrida de Sacos, Matança do Galo e Jogo do Burro), enquanto outros participavam com entusiasmo no Torneio de Tiro ao Alvo. A noite teve luminosidade com o grande concerto do conjunto “Arte & Manhas” que veio de Queluz para brilharem em terras do Ribatejo. O fado também marcou presença nesta noite, enquanto os espectadores bebiam o copo de tinto e saboreavam o chouriço assado, MARIA ADELAIDE, EMÍLIO SERRA e JOSÉ ALBANO acompanhados pelo guitarrista Raimundo e pelo viola Velez cantavam primorosamente que até os pássaros nocturnos vieram pousar na torre da igreja.
•Terça-feira, último dia de festa deste ano. O povo quando acordou já sentia nostalgia, pensando que seria o último dia de festas. Durante a tarde marcou presença no adro o Jogo do Chinquilho, enquanto lá pelas bandas da guarita, no campo da Pedrinha os “artistas da bola”, casados e solteiros iam convivendo no jogo de futebol. Após o jogo, foi outra confraternização no bar do arraial com o jantar de convívio, enquanto o conjunto Mindense “Top Less” tocava no último baile da festa popular.
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in "memórias das festas" - A. Anacleto

Outros Tempos... Outras Épocas...

O “Salto” Mortal

Na década de sessenta, muitos foram os nossos conterrâneos que “deram o salto”. Assim se designava, popularmente, a emigração clandestina.
Pedia-se dinheiro emprestado, a juro, a um qualquer usuário para se entregar ao engajador que podia ser o “Trinta” ou o “Catanha”.
Estes conduziam os pretensos emigrantes até à fronteira e, quantas vezes, ali mesmo, os abandonavam. Pelas prisões de Vilar Formoso e de outras terras arraianas passaram muitos dos nossos conterrâneos que viram frustrados os seus intentos e perdido todo o seu dinheiro que, pelas suas contas, deveria chegar até arranjarem trabalho em França.
Quando a fronteira portuguesa não constituía maior obstáculo, ei-los escondidos noites e dias em camiões como qualquer mercadoria, outras vezes a pé por vales e serras, cansados, esfaimados, ansiosos.
Só por isto o emigrante português merecia um monumento em sua honra.
Chegados, também a vida não era fácil: o alojamento na barraca de um amigo, a língua, adaptação ao meio, os transportes, tudo! Tudo era diferente, tudo era desigual.
Muitas estórias para contar mas um drama para salientar:
Um grupo de louriceirenses vivia em comum numa casa gélida. Na noite de 16 de Fevereiro de 1965, Joaquim Russo acendeu a braseira e os gases desta viriam a matar o Jorge Vieira, o seu primo Domingos e outro português, além de pôr em risco de vida outros companheiros, como o Aquiles e o Zé Rato.
Na sequência desta tragédia, Joaquim Simão (vulgo Joaquim Russo) pôs termo à vida. O desespero de quem se terá julgado culpado da morte dos seus amigos.
Anos terríveis que os nossos conterrâneos enfrentaram mas compensados pela melhoria da qualidade de vida que hoje desfrutam.
Uns regressaram e vemo-los bem. Outros, ainda lá, sempre com a sua terra no coração, à espera do Agosto que nunca mais chega, de todos os Agostos para, num salto, virem abraçar as raízes.
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in "Nossa Terra, Nossa Gente" - José da Luz Saramago
Publicado no jornal "O Alviela" - 11.04.1997

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Temporal

Rasto de destruição na região de Alcanena e Amiais de Baixo - Ribatejo - Portugal, motivado por um Tornado.
As imagens retratam a destruição na Praia Fluvial dos Olhos de Água - Nascentes do Rio Alviela, Freguesia de Louriceira.
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A. Anacleto

Temporal

Ventos fortes e chuva intensa, atingiram esta manhã a região de Alcanena provocando seis feridos ligeiros, quedas de árvores, diversas estradas cortadas e dificuldades de acesso a algumas localidades, segundo fonte da Autoridade Nacional de Protecção Civil.
O mau tempo fez-se sentir com maior intensidade em Pernes, Amiais de Baixo, Zibreira Vila Moreira e Alcanena, tendo algumas estradas de acesso a estas localidades sido cortadas devido a quedas de árvores e arrasto de objectos para a via pública.
Dos seis feridos ligeiros, três foram transportados para o hospital distrital de Santarém e os restantes foram assistidos no local pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e pelos bombeiros voluntários.
A mesma fonte do INEM referiu ter conhecimento da existência de mais feridos, mas não soube precisar quantos nem qual o seu estado. Os feridos estão a ser concentrados no quartel dos bombeiros de Pernes para prestação de primeiros socorros.

Telhados levantados
O porta-voz do INEM referiu que o mau tempo causou o levantamento de "muitos telhados" numa zona de fábricas e de acesso difícil.
Uma testemunha em Alcanena relatou que o "mau tempo causou estragos" nesta localidade. "Telhados de escolas e fábricas foram levantados" por aquilo que descreveu como "uma espécie de tornado. Árvores foram arrancadas e caíram em cima de carros", descreveu a testemunha.
No local encontram-se 28 bombeiros, apoiados por nove viaturas, incluindo ambulâncias, coordenados pelo segundo comandante distrital de operações de socorro, Rui Natário, além de três viaturas e um helicóptero do INEM e de uma viatura de intervenção em catástrofe. Está também no local uma equipa de psicólogos. Contudo, "não foi necessário accionar qualquer plano de emergência", disse fonte da Autoridade Nacional de Protecção Civil.
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Fonte Lusa

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Recordações da Minha Juventude - Memórias

… no ano de mil novecentos e setenta, foi o meu ingresso no serviço militar. Fui incorporado em Março desse mesmo ano, num dos quartéis da cidade raiana de Elvas. Foi com desabrimento que me sentei na cadeira de um dos barbeiros da cidade Elvense, para me cortarem o meu “estimado cabelo”, ao modo militar. Sinceramente senti repugnância. Sofri imenso com uma “ordem unida”, para preparação de uma eventual campanha em terras de África – na Guerra Colonial. Por lá, fiz a recruta durante dois meses. Aos fins-de-semana, sentava-me nas muralhas da cidade e mirava terras de Espanha com Badajoz à vista, recordando o “meu amor” que estava tão distante, lá para as bandas do Ribatejo!
Foi neste aquartelamento, que fui encontrar o Loureiro, doente e abalado, após ter levada a vacina, que nós na gíria militar designávamos por “vacina de cavalo”. Notava-se na fisionomia dele, uma nostalgia da terra e uma profunda saudade do seu amor. Ajudei-o e animei-o, dentro das minhas possibilidades…
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in livro "Meio Século de Vida" - Memórias - A. Anacleto

sábado, 5 de abril de 2008

Recordações da Minha Infância - Memórias

… no verão, após a chegada da máquina debulhadora às eiras da freguesia, éramos meninos alegres, brincando nos corredores de palha enfardada. Depois das debulhas, vinham as descamisadas do milho nas eiras. Nossas mães, lá se juntavam ao início da noite, para desenvolverem um trabalho agrícola comunitário. Elas, alegremente, lá iam cantando umas “modinhas” populares, enquanto nós meninos, parecíamos "bandos de pardais nocturnos", mirando as estrelas no horizonte. Apontávamos o “homem na lua com um feixe de lenha ás costas!...”,recordávamos as histórias que nossos avós contavam!...
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in livro "meio século de vida" - memórias - A. Anacleto

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Peripécias da Minha Juventude - Memórias...

… muitas coisas são “baptizadas”!, a gabardina do LOUREIRO, não podia fugir à regra! Assim aconteceu. Após um petisco bem regado com a boa pinga ribatejana, ao início da noite entrámos no recinto da Feira de Pernes. O Loureiro, calçando uma boa bota “tipo ribatejana”, quando subia a calçada de acesso ao largo da feira, escorregou e foi cair dentro de um dos alguidares que continha a massa para a confecção das farturas (não fazia vento, mas estava uma chuvinha que perturbava a concentração das memórias!...). Recordo-me, quando ele se aproximou de mim trocando um ou outro passo e me disse tristemente: “Óh Anacleto, olha como eu estou!... O que aconteceu “”?!! Eram as costas da “fina gabardina decorada com a massa branca das farturas”! – Felizmente, teve sorte, não cair dentro do “caldeirão do azeite para a fritura”, seria o “Segundo João Ratão!”...
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in "Meio Século de Vida - Memórias - A. Anacleto

domingo, 30 de março de 2008

Viver com os Morcegos!...

Carsoscópio permite aos visitantes experimentar a sensação de ser morcego!
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O Centro de Ciência Viva do Alviela, denominado Carsoscópio, faz sucesso entre os jovens alunos com as suas recriações da vida dos morcegos, escreve a agência Lusa.
É na «janela cársica», uma gruta criada pela erosão da rocha provocada pela passagem da água ao longo de milhares de anos, que, a partir de Abril, se reúne uma das maiores colónias de morcegos do país. São cerca de 5.000 indivíduos de 12 espécies, nove das quais inscritas no livro vermelho dos vertebrados em vias de extinção.
No Quiroptário, uma das três salas de exposição interactiva do Carsoscópio, os visitantes encontram uma réplica da gruta e podem experimentar a sensação de ser morcego. Os vários módulos permitem sentir o que é viver de cabeça para baixo, as diferenças de temperatura consoante estão a voar, a dormir ou a hibernar, como é bater as asas, como usar o som para «ver» no escuro, que quantidade de insectos precisam ingerir diariamente. Existem ainda ecrãs que permitem observar as imagens gravadas por quatro câmaras de infra-vermelhos, viradas para locais estratégicos desta «maternidade» de morcegos.
O percurso pedestre, com a duração de cerca de uma hora, permite observar ao vivo o que os jovens irão ver depois recriado no Geódromo, a sala mais popular do Carsoscópio, que proporciona uma viagem de 175 milhões de anos, onde alguns têm mesmo a sensação de voar. Aí está retratada a evolução geológica da região, situada no Maciço Calcário Estremenho, onde a permeabilidade da rocha calcária é responsável por fenómenos como o súbito desaparecimento da ribeira dos Amiais e pelas galerias, habitadas, de Abril a Setembro, por morcegos que aqui têm as suas crias.
Há ainda o Climatógrafo, um filme a três dimensões que descreve o clima na região e protótipos de uma estação udométrica, que mede a precipitação, e de uma estação limnigráfica, que mede o caudal do rio.
O Centro de Ciência Viva do Alviela, que ganhou o nome de Carsoscópio por se situar na mais importante região cársica do país, conta com tecnologia desenvolvida pela Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Leiria.
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Fonte Agência Lusa - in Jornal "Portugal Diário"

sábado, 29 de março de 2008

Meio Ambiente

Crianças e jovens de Santarém vão "vigiar" estado do Alviela!
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Crianças e jovens do concelho de Santarém "apadrinharam" o Alviela e, desde este mês, assumiram-se como "vigilantes" do rio, que visitam regularmente para "lerem" todos os sinais sobre o estado de um rio fortemente afectado pela poluição nos últimos anos.
As crianças do primeiro ciclo do agrupamento de escolas de Alcanede, o único que aderiu ao projecto camarário "Olimpíadas do Ambiente", vão estar "muito atentas" às ribeiras que passam junto às suas escolas e que integram a bacia hidrográfica do Alviela.
Equipadas com um "kit" fornecido pela autarquia, e escolhido o troço "adoptado", as crianças vão começar a medir regularmente parâmetros físico-químicos, estabelecidos pela Lei da Água, como o PH, os nitratos, o oxigénio dissolvido.
Por outro lado, com a ajuda de fichas de observação, os professores/monitores, que receberam formação específica, ensinam a reconhecer os bio-indicadores, as espécies, na água e nas margens, que permitem ajuizar da qualidade do rio.
Noutra frente, alunos do curso profissional de Gestão Ambiental da Escola Secundária Sá da Bandeira escolheram já dois troços do Alviela, um junto ao "mouseiro", em Vaqueiros, e outro junto à foz, em Vale de Figueira, para "vigiarem" o rio.
Munidos dentro em breve de um "kit" mais sofisticado, os jovens começaram já a fazer recolhas que serão analisadas em laboratório.
O Alviela pretende ser o mais recente aderente ao projecto "Rios", que envolve já 70 grupos de pessoas, essencialmente de escolas, de todo o país, que "adoptaram" troços de 500 metros de linhas de água que "precisam de ajuda".
A formalização da adesão do Alviela ao projecto Rios deverá acontecer ainda este mês, depois da aprovação, pelo executivo camarário, do protocolo a celebrar entre a autarquia e a Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA).
O projecto "Rios", que envolve a ASPEA, a Associação de Professores de Geografia, a Liga para a Protecção da Natureza e a Faculdade de Engenharia do Porto, arrancou no terreno há dois anos com 20 grupos de observação, número que cresceu para os actuais 70, afirmou.
O projecto iniciou-se em 1999 na Catalunha (Espanha), onde actualmente existem já 630 grupos de observação, tendo-se estendido igualmente à Galiza (230 grupos), com grande participação das famílias.
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in Jornal "O Mirante" - edic. online 29.03-08

sexta-feira, 28 de março de 2008

Recordações da Minha Infância!...

... após um dia de enorme cansaço, chegava a noite e era à luz do candeeiro a petróleo, que ainda tinha alguma energia para estudar, antes de ir para o repouso da minha cama com colchão de palha e camisas de milho. Está em minha memória, as tremuras motivado pelo frio que passei nas manhãs regeladas, as tempestades de chuva forte e o som do vento agreste, vindo das bandas das Serras Aire e Candeeiros e do calor ardente das tardes quentes dos meses de Verão, quando me deslocava na minha bicicleta para a ida e regresso da Escola Industrial e Comercial de Torres Novas. Percorria diáriamente, mais de quarenta quilómetros na minha "companheira Garota" (marca da minha bicicleta)!...
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in "Meio Século de Vida - Memórias" - A. Anacleto

Louriceira - Recordando as Festas!...

No verão de 1987, as Festas no burgo Louriceirense foram assim:
Dias 7, 8, 9, 10 e 11 de Agosto

- Sexta – feira, primeiro dia de festa, ao fim da tarde a população jubilou quando ouviu o som dos morteiros a anunciar mais uma festa na sua terra. Não se fez esperar pela abertura da quermesse e do bar, alguns acorreram ao arraial para tomar a primeira bebida, o tempo quente convidava para tal. Também não resistiram sem comprar a primeira rifa na quermesse. A noite chegou, e a primeira dança foi ao som dos acordes do conjunto “Nova – Mente” contratado para a animação nocturna deste primeiro dia de festa.
- No Sábado, como costume, não faltou a alvorada pela penumbra da manhã. Chegou a Banda Filarmónica de Alcanede, que após as boas vindas aos festeiros, não perderam tempo para acompanhar o içar da bandeira e iniciar o peditório com saudação à população, com belos acordes musicais enquanto o fogueteiro ia lançando um ou outro foguete. Ao início da tarde, as pessoas mais religiosas concentravam-se na igreja, para dar os últimos retoques nos andores que transportariam as imagens religiosas pelas ruas da freguesia durante a procissão. Depois da habitual missa solene iniciou-se a procissão. Após o termo dos actos religiosos, não se fez esperar para o início do arraial, as meninas festeiras corriam para a quermesse para iniciar a venda das rifas e das flores. A Filarmónica tocou a primeira música do concerto da tarde. O leiloeiro preparava a voz para iniciar o leilão das vistosas fogaças. As fogaceiras, com os seus vestidos novos, não se cansavam de as olhar porque foram ornamentadas e oferecidas com carinho e primor. Ao fim da tarde iniciava-se o jantar na esplanada do arraial para muitas pessoas da aldeia e forasteiros. Enquanto jantavam e bebiam calmamente, escutavam os primeiros temas musicais executados pelo conjunto “Sigma” que viajou de Alhandra.
- No dia seguinte, – Domingo, mais uma vez as gentes da terra deram uma volta no seu reduto de descanso, quando os foguetes foram lançados mais uma vez do alto do moinho de vento anunciando a alvorada do dia. Á tarde, houve muito movimento na quermesse com a venda de rifas, o leiloeiro saltava para o palco para iniciar a venda de artigos ofertados à festa. Pelas dezassete horas, chegou um autocarro ao largo, transportando o Rancho Folclórico Infantil das Fazendas de Almeirim, que vinham animar com as músicas e danças Ribatejanas os “pequenos e graúdos” que estavam concentrados no arraial popular. Chegou a noite e o conjunto “Top Less” que fez mais uma viagem do outro lado da serra subiu ao palco para iniciar o baile que se prolongou pela madrugada com muita alegria dos foliões da noite.
- Chegou a Segunda-feira quarto dia de festa. Uma vez mais houve “rabugice” com o barulho do foguetório. Pela tarde realizaram-se os Jogos Tradicionais. O bacalhau acabou por não ser recolhido do topo do Pau Ensebado e o galo acabou por cantar mais alto porque não houve perícia por parte dos concorrentes para ganhar o jogo. A lua cheia surgia do lado nascente, era o início da noite. Já o conjunto “Dilectus” tinha os instrumentos preparados para animar o baile ao serão e o locutor Carlos Corveiro “apurava” a voz para apresentar mais tarde a artista de variedades ANA, que seria a atracção das festas. Espectáculo que se prolongou pela noite dentro, continuando depois o baile até ao raiar da madrugada.
- Terça-feira, último dia da festa do ano. Casados e solteiros juntaram-se uma vez mais no campo da Pedrinha para conviverem praticando futebol, enquanto outros mais idosos se concentravam no adro para iniciarem mais uma série de Jogos Tradicionais. Ao fim da tarde, houve teatro - o Grupo Cénico da freguesia subiu ao palco para representar uma peça, que foi do agrado da assistência. Á noite foi o final com a animação musical do agrupamento “Top Less”.
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in "memórias das festas" - A. Anacleto

Estou Triste!...

Máquinas da central eléctrica vandalizadas: perda irreparável
para o património torrejano

Foi um choque quando se deu pelo sucedido na tarde de terça-feira. As máquinas da antiga central eléctrica, únicas no país, estavam totalmente esventradas pelos caçadores de cobre. As ruínas contíguas ao edifício foram a porta de entrada dos ladrões, que gozaram assim de total segurança visual e sonora, talvez durante meses, sem que ninguém da Câmara tivesse dado por isso.
Na tarde de terça-feira, uma pessoa que mora perto da antiga Central Eléctrica do Caldeirão achou estranho que um indivíduo se deslocasse para a zona das ruínas do lagar, com uma picareta na mão. Avisou a polícia, que se confrontou já só com um homem dentro do edifício da Central. A porta de entrada foi um buraco na parede feito na garagem, a partir das ruínas do lagar. Era por aí que os indivíduos entravam e faziam sair o material, para o lado do Almonda Parque. Muitas vezes foram vistos a entrar para as ruínas pela pessoa que falou ao JT, mas nunca se pensou que estava ali uma acção demorada e meticulosa de roubo do cobre dos vários maquinismos das turbinas e geradores da central.
Durante muito tempo, dois ou três meses, os indivíduos foram esventrando as máquinas para retirar o cobre, deixando-as totalmente destruídas em termos dos seus mecanismos eléctricos. O requinte chegou à situação de abrirem o chão à picareta para retirada de fios. Como as portas do edifício, à guarda da Câmara Municipal, estavam sempre fechadas, quem passasse pelo local nunca suspeitaria que havia gente a "trabalhar" lá dentro. Fonte da PSP disse ao JT que o indivíduo acabou por não ser detido porque não havia qualquer queixa do dono do edifício, embora tenha sido confrontado com fios de cobre na mão e ferramentas.

Património raro

Duas turbinas hidroeléctricas, uma de 1936 outra de 1937, foram destruídas nas suas componentes fundamentais, o que impede que sejam postas a funcionar. Também os dois geradores, um dos quais funcionou com a máquina a vapor da primeira central eléctrica do Matadouro, depois mudada para o Edifício Parque, da empresa de José Manuel Ferreira, mais antigo ainda que as turbinas, foram alvo da destruição.

Este conjunto foi considerado único no país quando o departamento de museologia da EDP o quis levar para a Central Tejo, em Lisboa, no início dos anos 80 do século passado, como demonstrativo das primeiras centrais eléctricas portuguesas ainda a funcionar, como explicou ao JT fonte da Associação de Património.

A destruição deste núcleo hidroeléctrico é, assim, um dos maiores golpes de sempre de que foi alvo o património industrial torrejano e constituía o conjunto nuclear do Centro de Ciência Viva previsto para o local. Sem este património, em bom estado e preparado para funcionar como demonstração, é o próprio Centro de Ciência Viva que poderá perder qualquer razão de ser.

Um cenário perfeito

O edifício estava sob a alçada da Câmara Municipal e as suas portas devidamente fechadas. No entanto, o facto de ninguém lá ter entrado há muito tempo, uma situação talvez anormal, permitiu que o vandalismo continuasse tranquilamente. Mas, tem de se dizer, este crime só foi possível pela existência das ruínas do lagar que ali permanecem impunemente há décadas. Elas foram a camuflagem para a entrada no edifício da central através do arrombamento da parede e para as entradas e saídas em perfeita segurança para os criminosos.
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in Jornal "Torrejano" - edição online - 28.03.08
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Estou triste pela destruição daquele valioso património.
A. Anacleto

Recordações da Minha Adolescência!...

… chegou a hora de fazer a barba a primeira vez! Desloquei-me com o Cardoso, à barbearia improvisada do Julião. Ainda mantenho o cheiro do “pó de arroz” que ele me colocou na face, após cortar a “fina pelugem”. Foi difícil fazer a barba ao Cardoso. Tinha cócegas e tremia o lábio superior, não deixando de sorrir. O que o Julião “sofreu”, com a navalha de barbear na mão!...
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in "Meio Século de Vida! - Memórias" - A. Anacleto

quinta-feira, 27 de março de 2008

Tradições Populares



Márinho - 2º a contar da esquerda da fila de baixo.
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Uma (v)ida sem rumo

Na escola era um bom aluno. Sempre muito bem atilado, menino da sua avó, que o tratava com desvelo e lhe substituía os pais, que mal conheceu.
Nada faltava ao Marinho. Bem vestido, bem calçado dono da melhor bola de futebol, fazia inveja aos outros putos.
Cresceu com a bola nos pés e a Louriceira conheceu naqueles idos anos 50 a melhor equipa de futebol de sempre. Zé Rui, Sá Tó, Zé dos Santos, Parreira, Marinho e outros da turma, arrancaram em cada Domingo uma taça, um troféu ou um simples símbolo de uma vitória.
Marinho vivia apenas para isto. Sua avó sempre pensou que se arranjaria em Lisboa um bom emprego para o seu menino. Afinal ele era um craque do futebol…
No entanto a sua 4ª classe nunca chegou para aquela ambição.
Chega a idade de ir à tropa e o Regimento de Caçadores atira-o para a primeira linha na guerra de Angola.
Marinho regressa dois anos depois, irreconhecível, doente, mentalmente destroçado, correndo sem rumo, de noite e de dia, as ruas da aldeia.
Sem apoio, porque a sua avó falecera, sem família, o ex-craque deambulou e desapareceu.
Muitos anos depois aparece na Louriceira, meio descalço, meio despido, cara escondida atrás duma barba de anos, sujo, de saco às costas, amparado a um pau. Logo que foi reconhecido sumiu-se…
Sabe-se hoje que é um dos muitos “sem abrigo” que vegetam por Lisboa. Aquela cidade sonhada para um bom emprego.
Não pede nada a ninguém. Vive (?) da caridade de quem lhe oferece. Demente, percorre a cidade sem paradeiro certo.
Necessita (necessitava, logo que regressou da guerra colonial) ser tratado da doença de que foi vítima.
Hoje, que tanto se fala de solidariedade, haverá por aí que cuide e trate do Mário Grilo?
Seria bem melhor do que nos ficarmos pelo ditado: “Quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga».
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in "Nossa Terra, Nossa Gente" - José da Luz Saramago
Publicado no Jornal "O Alviela" - 17.01.1997

quarta-feira, 26 de março de 2008

Recordações da Minha Adolescência!...

... olhando a janela do meu “local de refúgio”, medito ao recordar o meu inseparável “lenço de cor grenat”, o meu pulóver creme que faziam “furor” quando entrava nas salas de baile e o chapéu preto de aba larga, que usava no Carnaval e que me fazia inspirar nas récitas das quadras de amor às moças operárias das fábricas têxteis de Minde...
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in "Meio Século de Vida - Memórias" - A. Anacleto

Louriceira - Recordando as Festas!...

Em 1986, foram assim as Festas de Verão no nosso burgo:
Dias 8, 9, 10, 11 e 12 de Agosto
- Sexta – feira à tarde, iniciaram-se os festejos deste ano com uma salva de morteiros. Á noite grande baile no arraial com o Grupo Musical que viajou de Queluz – “Arte & Manhas”, fizeram furor principalmente na juventude naquela noite.
- Sábado a população acordou com a salva de morteiros que dava início à alvorada. Chegou a Banda Filarmónica de Vilar dos Prazeres, após o içar da bandeira, deu-se início ao peditório. Após o almoço, iniciaram-se as solenidades religiosas com missa e procissão. Lá surgiram mais uma vez as fogaceiras com as fogaças à cabeça, muito bem ornamentadas e recheadas. Depois, foi o início do arraial popular, com concerto pela Filarmónica Vilarense e o animado leilão, enquanto um ou outro rapaz trocava um olhar e um piropo com alguma menina simpática que ia vendendo flores. Ao princípio da noite chegaram da Cova da Piedade os elementos do Conjunto Musical “Cosmos” que fizeram a animação nocturna.
- O Domingo foi um dia enorme de cultura musical. Depois de uma tarde bem passada no arraial, com comes e bebes e continuação do leilão, não faltando o bom movimento na quermesse, chegou a noite e subiu ao palco PEDRO BARROSO acompanhado dos músicos de elevada qualidade que proporcionaram uma noite musical de reconhecidos méritos. O adro estava repleto de assistência que vibrou com a qualidade do espectáculo. De seguida houve baile animado por um grupo de boa qualidade musical vindo de Tomar – “Herus”.
- Segunda – feira não deixou ficar mal a festa. Belo dia de verão. Depois da alvorada pela manhã, alguns louriceirenses não resistiram em ficarem deitados até um pouco mais tarde, para terem energias suficientes para participarem nos Jogos Tradicionais que se desenrolaram à tarde no recinto do arraial. Pelas vinte horas, mais uma vez houve muita alegria com a exibição de um Rancho Folclórico da lezíria ribatejana – Vale de Figueira. Mais tarde com a noite em temperatura amena, “Top Less” de Minde, animou as gentes da região com música adequada para um pézinho de dança.
- Terça – feira, último dia de festejos deste ano. Durante a tarde enquanto se desenrolavam os Jogos Tradicionais no adro da igreja, local do arraial, no campo da Pedrinha havia futebol. Jogo entre casados e solteiros. Depois foi a confraternização de camaradagem entre os participantes. Á noite o “Conjunto Típico da Região do Alviela” animou o serão com belos temas da música portuguesa.
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Do livro "memórias das festas" - A. Anacleto

segunda-feira, 24 de março de 2008

Festas Tradicionais - Reportagem

Hoje, fizemos reportagem nas Festas em Honra de Nossa Senhora da Boa Viagem na Vila Histórica de Constância.
Em mais de 200 anos, pela primeira vez, uma bênção foi dada no próprio Tejo pelo sacerdote da paróquia a partir de uma embarcação, de entre as muitas dezenas que se encontravam nos rios.
Mantendo as seculares tradições, o percurso da Procissão em honra da padroeira dos marítimos foi feito por milhares de pessoas integralmente em terra, o que constituiu uma característica única entre os diversos locais do país que têm esta evocação a Nossa Senhora da Boa Viagem. Com este acto simbólico houve uma maior proximidade com a cerca de meia centena de embarcações que participaram neste grandioso cortejo fluvial.
As embarcações representativas da quase totalidade dos municípios ribeirinhos foram recebidas com salva de foguetes e saudação musical pela Banda da Associação Filarmónica Montalvense 24 de Janeiro.
Muitas tripulações das embarcações estavam trajadas de forma tradicional, lembrando os tempos em que os rios eram estradas e deles vinha o ganha-pão de grande parte da população.
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A. Anacleto

domingo, 23 de março de 2008

Tradições Populares



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"Ti Belmira com o Marido"
Não tiveram filhos, mas amavam as crianças!...
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"QUEBRANTO"
Quando um indivíduo tem, repentinamente, fortes dores de cabeça, boceja frequentemente, sente um mal-estar geral do organismo e uma moleza interior, atribui-se, nas nossas aldeias, muitas vezes, ao “mau-olhado”.
Estamos então na presença do “Quebranto”.
Nestes casos, costumam as pessoas dizer, que nenhum médico o curará, que só certas mulheres têm poder de tirar o “Quebranto”.
Na Louriceira à cerca de meia dúzia mas é, normalmente, à senhora Belmira que muita gente aflita recorre. Ela, que também endireita a espinhela, tem outras virtudes e sabe rezar o responso de Santo António.
Neste caso de “Quebranto”, a senhora Belmira coloca em frente do paciente um prato com água, onde deita três pingos de azeite e enceta a oração:
- Fulano (cita o nome do paciente) tem “quebranto”. Dois lho deram, dois lho tiraram. Pai e Espírito Santo.
Segue-se um Padre Nosso e uma Avé-Maria e repete a ladainha nove vezes. E continua:
- Em louvor do Santíssimo Sacramento o mal vai para fora e o bem para dentro.
- Todo o mal vá para o fundo do mar e o bem venha para casa de (cita o nome do doente). Os anjos do céu digam comigo “ámen, ámen, ámen”.
Toda a ladainha é repetida durante nove dias seguidos, ao que se segue a cura do paciente, ao mesmo tempo que se vão espalhando as três gotas de azeite que estavam no prato com água.
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in "Nossa Terra, Nossa Gente" - José da Luz Saramago
Publicado no Jornal "O Alviela" em 08.07.1990
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A. Anacleto

sábado, 22 de março de 2008

Louriceira - Recordando as Festas!



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No Verão de 1983, foram assim as Festas no Adro da Igreja na Freguesia de Louriceira:
Dias 5, 6, 7 e 8 de Agosto
No dia cinco pela tarde, foi o início das festas deste ano com o lançamento de uma salva de morteiros e a abertura do bar. Á noite a animação esteve a cargo do Conjunto “Psicose” de Queluz.
No sábado pelas oito da manhã, ribombaram foguetes anunciando a alvorada. A Banda de Alcanede viajou uma vez mais a terras louriceirenses para fazerem parte nos festejos. Foi o peditório na sede da freguesia pela manhã. Á tarde. pelas 14 horas, iniciaram-se os actos religiosos com a celebração da missa solene e a procissão. Depois pelas 16 horas começou o arraial com o funcionamento da quermesse e do bar, onde não faltou o leilão das fogaças tudo ao som da música da Banda. A noite foi animada com o Conjunto “Europa” de Lisboa, que fizeram vibrar “velhos e novos” com a música variada que apresentaram naquela noite quente de verão no adro da igreja.
No Domingo mais uma vez as gentes da terra, tiveram que acordar ao som estridente dos foguetes lançados no alto do moinho que anunciavam a alvorada do dia. Pela manhã procedeu-se ao peditório no Carvalheiro. Á tarde houve animação no arraial com a continuação do leilão, quermesse, bar a funcionar em força e a animação do Rancho Folclórico que viajou do Covão do Coelho. Á noite subiu ao palco a Banda “Sinal” de Lisboa que animou as gentes locais e forasteiros com música variada de qualidade.
Na Segunda – Feira, último dia das festas deste ano, mais uma vez os louriceirenses, foram acordados pelo foguetório matinal, anunciando mais uma alvorada. Pela tarde, no arraial não faltaram os jogos tradicionais e as provas desportivas. À noite viajou de Santarém o conjunto “New Band” para animar o baile intercalado com o espectáculo de variedades no qual fez parte a artista FERNANDA do grupo “Cocktail” (actualmente esta artista tem o nome artístico de Ágata).
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in livro "Memórias das Festas" - A. Anacleto

sexta-feira, 21 de março de 2008

Semana Santa



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Hoje Sexta - Feira Santa, marcámos presença na Procissão do Senhor Morto, na Paróquia de Pernes.
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A. Anacleto

Recordações da Minha Infância!...

... recordo os jogos do pião, como a “Conicha” e a “Roda Bota e Fora”. O Cardoso primava-se pela apresentação dos melhores piões... não viesse ele de uma geração de carpinteiros e marceneiros! Recordo as brincadeiras no adro da igreja, quando caçava aranhões para travarem lutas ferozes e as “touradas improvisadas”. Na primavera, depois da saída da escola, lá partia com o Cardoso para o mato para a apanha do fruto do sargaço, (que denominávamos “apúticas")!. Também neste campo o Cardoso tinha arte na procura das mesmas... sempre colhia uma quantidade superior aos companheiros de infância!...
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in "Meio Século de Vida" - Memórias - A. Anacleto

quinta-feira, 20 de março de 2008

Tradições Populares

Pregões

De Espinheiro vinha o “Pistola” soprando na corneta e cantando: «sardinhas e carapaus»!...
O Cruz, de Pernes, na sua carroça, gritava: «Quem tem ovos e galinhas que queira vender»?...
Os pregões multiplicavam-se:
«Ferro velho, cêra ou lã. «Ourives à porta». «É barato, é barato, comprem. Trago Chita da tabela».
E quantas vezes os pregões se misturavam…
« Têm por aí trapos ou garrafas que queiram vender…»
«Chegou o homem da loiça, é tudo barato, é tudo barato!...»
A aldeia acordava ao som dos cânticos destes verdadeiros artistas, compositores das suas músicas e autores das letras dos seus pregões.
Era bonito de se ouvir e as pessoas tinham Às suas portas a satisfação das suas necessidades.
Se não tinham dinheiro, tinham fiado.
Se não compravam muito, contentavam-se com pouco.
O tempo era de uma sardinha “chegar” para três pessoas!...
«Deus dava o frio, conforme a roupa».
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in “NossaTerra… Nossa Gente” – José da Luz Saramago
Publicado no Jornal “O Alviela” – 04.07.1997

quarta-feira, 19 de março de 2008

Tradições Populares


As Mondas

Logo que a Primavera fazia brotar as ervas daninhas nas searas, as cachopas da nossa terra lá iam para a monda, contratadas pelas casas Ladeiras, Anastácio, Aníbal Machado, Domingos Bento, Joaquim Reis, entre outras, cantando alegremente as canções de todos os dias:

Olha o Laranjinha
Que caiu, caiu
Num regato d´água,
Nunca mais se viu.
A laranja foi à fonte
O limão foi atrás dela
A laranja bebeu água
E o limão, o sumo dela.

O almoço era constituído de sopas de pão com bacalhau num dia, no outro couves com feijões ou apenas pão com cebola frita, quando não com pão com azeitonas.
A jorna de 10$00 era pequena e o dia (do nascer ao pôr-do-sol), muito grande…. muito grande!
Mas as cachopas cantavam, ensainado as modas que iriam fazer o baile, de roda, na casa de ti-Ângelo, no domingo seguinte:

Fui ao jardim às flores
Com uma cestinha no braço
Encontrei o meu amor
Ai Jesus, daqui não passo.

Troca o par e passa à frente
Que o meu já vai trocado,
O amor qu´há-de ser meu
Já aqui vai ao meu lado.

Já aqui vai ao meu lado
Já cá vai à minha frente
O amor qu´há-de ser meu
Há-de sê-lo para sempre

De regresso a casa, já À noitinha, os rapazes esperavam-nas no largo.
A troca de olhares compensava o cansaço.
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in "Nossa Terra… Nossa Gente"
José da Luz Saramago
Publicado no Jornal “O Alviela” – 20.06-1997

Louriceira - Recordando as Festas!...

12, 13 e 14 de Agosto
Os festejos louriceirenses deste ano, ficam nos pergaminhos da história das festas da freguesia, pela qualidade do programa elaborado. Ora vejamos:
O primeiro dia, começou pela tarde com o lançamento de uma salva de morteiros e a actuação da Fanfarra dos Bombeiros de Alcanena, anunciando pelas ruas da aldeia que estavam a iniciar os festejos populares do ano. À noite, o conjunto de Mira de Aire “Transe” animou a gentes no adro da igreja, onde se notava já boa alegria onde não faltava a boa pinga e o belo petisco servido no bar.
No sábado, logo pela manhã foi a alvorada e o içar da bandeira. Chegou a Banda de Azinhaga do Ribatejo, o qual se iniciou de imediato o peditório na sede da freguesia. Após o almoço, iniciaram-se as actividades religiosas com a habitual missa solene e procissão. Depois foi o início do arraial com muita alegria animado pelo concerto de qualidade da Banda Filarmónica. As estrelas da noite brilharam mais, quando subiu ao palco a Banda “Herus” de Tomar para animar o baile até de madrugada.
No Domingo, as gentes da terra mais uma vez quando estavam dormindo profundamente, acordaram algumas delas rabugentas com o rebentamento dos morteiros anunciando mais um dia de festa. As crianças sorriram ao assistirem à actuação do Teatrinho - Grupo de Teatro de Santarém que apresentou a peça “Era uma vez...”. Também os mais graúdos tiveram uma tarde animada com a actuação do Grupo de Musica Popular Portuguesa “Terra Brava” que fizeram vibrar a assistência. A noite iluminou-se com a actuação do conjunto vindo de Tomar “Templários” que animaram velhos e novos com a sua variada música.
A Segunda – Feira foi enorme com a presença do artista de renome internacional – PACO BANDEIRA. Chegou pela tarde à Louriceira com os elementos da sua banda, os quais conviveram com as gentes Louriceirenses, enquanto se realizavam os Jogos Tradicionais e o Torneio de Tiro ao Alvo. Á noite, foi a vez de subir ao palco o conjunto “Europa” que viajou de Almada para animar o baile. Pelas vinte e três horas actuou Paco Bandeira e a sua Banda, tendo realizado uma actuação memorável que ficou gravada nas memórias dos louriceirenses e forasteiros que se deslocaram à festa da nossa terra.
Na terça – feira, foi o culminar dos festejos com a realização á tarde dos Jogos Tradicionais o do Jogo de Futebol entre casados e solteiros. Á noite brilhou o conjunto “Top Less” de Minde.

sábado, 15 de março de 2008

Desporto - Atletismo

Foto: A. Anacleto
CAMPEONATO NACIONAL CURTO DE CORTA MATO
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Hoje,marcámos presença em Porto de Mós, para realizar cobertura fotográfica dos Campeonatos Nacionais Curtos de Corta Mato.
Bastante participado por atletas de vários escalões, oriundos de várias regiões do país, teve como vencedores nos escalões máximos, Seniores Femininos: SARA MOREIRA do Maratona e MÁRIO TEIXEIRA do Sporting Club de Portugal no escalão de Seniores Masculinos.
Por lá encontrámos grandes vultos do Atletismo Nacional, entre os quais, destacamos o encontro do Presidente da Federação Portuguesa de Atletismo - Prof. Fernando Mota e a grande atleta olimpica de épocas remotas - Manuela Machado.
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MANUELA MACHADO
Maria Manuela Machado, nasceu próximo de Viana do Castelo, em 09/08/1963. Desde muito cedo, ingressou no Sporting de Braga, onde, integrada numa super equipa (Conceição Ferreira, Albertina Machado, Rosa Oliveira,...) foi várias vezes vencedora da Taça dos Campeões Europeus de Corta-Mato.

As Grandes Vitórias Individuais

Em, 1992, nos jogos Olímpicos de Barcelona, surge o primeiro sinal de glória, Manuela é sétima classificada na maratona, com 2:38:22
Em 1993, nos Mundiais de Estugarda, Manuela ganha a medalha de prata, fazendo 2:30:54.

Europeus de Helsínquia 1994

Depois da medalha de prata em Estugarda, nos Europeus de Helsínquia, Manuela conquista a sua primeira medalha de ouro em grandes competições com 2:29:54. Ao cortar a meta, Manuela beijou o tartan do estádio. " Ao contrário do costume, não dormi bem. Não, não eram os nervos, que isso nunca sinto, era medo de não acordar a horas. O beijo no chão foi instintivo. Depois corri em busca de uma bandeira que comprara em Viana e que pedira à Sameiro que guardasse em segredo."
Manuela Machado, com esta vitória, garantiu a continuidade do título Europeu da maratona em Portugal, depois de Rosa Mota ter ganho as três edições anteriores.
Mundiais de Gotemburgo -1995

A vitória nos Mundiais de Gutemburgo valeu a Manuela um Mercedes. " Mas que grande máquina! Vou escolher um verde garrafa, afinal sou do Sporting, só que também lhe digo que não é carro que faça muito o meu estilo, vai ser para o meu marido conduzir, eu vou ficar com o meu Opel Corsa."

Jogos Olímpicos de Atlanta-1996

Em Atlanta, Manuela Machado não conseguiu fazer melhor do que quatro anos antes, em Barcelona. Voltou a ficar em sétima na maratona Olímpica, fazendo 2:31:11

Mundiais de Atenas-1997
Nos Mundiais de Atenas, Manuela conquista a sua segunda medalha de prata em Campeonatos do Mundo. Torna-se a única maratonista a conquistar 3 medalhas em campeonatos do Mundo.
Europeus de Budapeste - 1998

A três dias do ataque à defesa do título de Campeã Europeia da Maratona, Manuela Machado começou a sentir picadelas na garganta e assustou-se. Tratada de urgência com antibióticos, a doença não lhe chegou à alma. Foi para a estrada e cumpriu o seu destino. Atacou aos 30 quilómetros, e " só não foi antes porque a Sameiro não me quis dar ordem de soltura até aí". Cortou a meta com os pés encharcados em sangue, com um novo record dos campeonatos 2:27:10, melhorando o tempo que Rosa Mota obteve em 1986.
A maratona em grandes campeonatos só se abriu às mulheres em 1982. De Atenas 1982 a Budapeste 1998 16 anos se passaram e o título Europeu nunca saiu de Portugal. Rosa Mota ganhou os três primeiros, Manuela os dois seguintes.

Jogos Olímpicos de Sidney - 2000
Em Sidney Manuela Machado foi traída pela doença que a atacou antes da prova. Terminou na vigésima primeira posição.
Manuela confessa que entrou na prova derrotada. “Sentia-me péssima, sem forças, transpirava por todos os lados, tinha febre e diarreia (certamente dos medicamentos que tomara). Na noite anterior não conseguira dormir, com dores de garganta e o nariz todo entupido.” Já nos dias anteriores Manuela sentira dores de garganta, mas apenas se queixou ao médico. No entanto, não tinha febre, que surgiu apenas na noite de sábado para domingo. “Acordei mesmo mal, sem forças...”
O percurso da maratona passa, nos seus quilómetros iniciais, a ponte mais famosa de Sydney, a ponte do porto. Depois, segue pelo centro da cidade, antes de sair em direcção ao estádio olímpico. “Não me lembro de nada. Falaram-me numa ponte e não me recordo de ter passado nenhuma. Falaram-me no centro da cidade e não me lembro de ver casas. Nem das pessoas ao longo do percurso. Eu só segui a linha azul que marca o percurso. E até achei o percurso fácil. Não senti nenhumas dores musculares. Ia lá só por ir, só para acabar a prova, sem lutar.”
Manuela confessa que muitas vezes pensou em desistir. “Sim, muitas, muitas. Mas, depois, como iria para casa, para a Aldeia? Por isso me fui deixando ir.” A parte final da prova, entre os 30 e os 40 km, foi percorrida em quase 40 minutos. “Não tenho noção nenhuma disso. Só sei que a dada altura, numa subida, cheguei a andar. Mas não tenho a noção em que parte da prova foi.”

Depois da prova, Manuela Machado foi conduzida à enfermaria do estádio, onde esteve mais de uma hora. “Foi horrível, estava com 39,7 graus de febre mas cheia de frio. Colocaram-me placas de gelo pelo corpo, para baixar a temperatura, e deram-me soro, dois litros.” Manuela diz não ter sentido medo. “Estive sempre consciente, embora bastante fraca e com dores horríveis na garganta. Mas senti-me confortada por ter o dr. Paulo Beckert a meu lado.” Manuela Machado, que nunca desistiu numa maratona, também nunca passara por uma enfermaria no final da prova. “Acontece aos melhores... Mas tenho a certeza de que muito poucos campeões do Mundo, no meu lugar, teriam corrido. Mas eu, nem que fosse para fazer só 10 ou 15 km, teria de partir. Nunca mais me iria sentir bem se não o fizesse.”

sábado, 8 de março de 2008

Imagens da Região Louriceirense!...

Imagens propriedades do autor deste blogue, recolhidas na região Louriceirense.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Tradições Louriceirenses...



O “Bate – Certo”

Antes da proliferação das fábricas de curtumes no nosso concelho, os homens e mulheres da Louriceira ocupavam-se, quase exclusivamente, do trabalho agrícola.
Na Quinta de Alviela trabalhavam muitos dos nossos conterrâneos e deles se contam algumas estórias.
“Ti-Jaquim Bate-Certo” era um desses trabalhadores pacíficos, honestos e simples que caracterizavam os louriceirenses.
Nos sábados, à tardinha, ou já de noite, depois da “despega”, os rurais formavam uma fila para receber o salário.
Quando chegava a vez do Ti-Jaquim, este estendia os braços, aparando a sua féria com o barrete.
Certa vez o capataz perguntou-lhe porque razão nunca contava o dinheiro.
«Ora, senhor Januário, “nã” preciso. P´lo peso da carapuça logo vejo que bate certo».
E daqui lhe nasceu a alcunha.

José da Luz Saramago
in Jornal "O Alviela" - 20.12.1996

domingo, 2 de março de 2008

Recordando!...

As Sortes
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- Ó Manel, já lá está o edital!... Vamos às sortes no dia 25!
- “Atão” temos que falar aos tocadores…
E, correndo de contentes, foram avisar o Joaquim, o António, o Zé e os outros rapazes que completavam vinte primaveras naquele ano de 1944.
Nessa altura não se falava de outra coisa.
As semanas, os dias e as horas pareciam demasiado lentas àqueles mancebos ansiosos por saber se iriam ter a honra de envergar a farda militar e livrar-se do trabalho no campo, de sol-a-sol, ou das oito horas a puxar coiros na fábrica.
Tudo andava numa fona:
Ele era o alfaiate que, para ter os fatinhos de fazenda prontos, trabalhava sem descanso até altas horas da madrugada.
Ele eram as reuniões para os preparativos da festa: acertar a sala para o baile, enfeitá-la, falar aos tocadores, mandar vir os foguetes, combinar o passeio…
Ele eram as raparigas, alegres, na certeza de estrearem o seu vestidinho, mesmo que a chita fosse…
Finalmente, chegou o dia. Pouco depois do sol-fora já a música do banjo do João Loureiro, da viola do Raul e do pífaro do Gaíto rompiam a manhã, alegrando as gentes e aguardando a malta que nesse dia ia Às sortes a Alcanena, no edifício dos Paços do Concelho, ali frente à antiga praça.
De regresso, mais tristes uns de fitinha verde ao peito – sinal de terem ficado livres – ou amarela, se esperados para o ano seguinte e radiantes os “heróis” de fita vermelha, no peito saliente, porque iriam ter a honra de envergar uma farda.
Uma volta à aldeia, sempre acompanhados do conjunto musical, deitando foguetes aqui e ali, parando à porta de cada taberna, obrigatoriamente, provando a pinga.
À noite, no baile, na casa do tio Mateus, já não se vislumbrava tristeza na cara daqueles que tinham ficado livres à tropa. Todos, todos, partilhavam a mesma alegria. O vinho, forte, tinha-lhes dado força para pularem e dançarem toda a noite, até acabar o carboreto que dava luz no gasómetro.

José da Luz Saramago
in Jornal "O Alviela" - 27.03.1997
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Militares Louriceirense em épocas remotas!...

Lugares da Freguesia de Louriceira - Olhos de Água

Lugar dos Olhos de Água, está inserido na freguesia de Louriceira - Concelho de Alcanena. Além das nascentes do Rio Alviela, possuí Praia Fluvial, Parque de Campismo, Restaurante e Centro de Interpretação, no qual está inserido a Ciência Viva do Alviela, recentemente inaugurado pelo Presidente da República.

sábado, 1 de março de 2008

Recordando!...

Do Livro "Nossa Terra... Nossa Gente" - da Autoria de José da Luz Saramago, no qual, constam artigos publicados no Jornal "O Alviela" na década de 90, publicamos este, que descreve, como eram os Carnavais em épocas remotas no burgo Louriceirense.
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O Carnaval dos Anos 40
Carnaval, Carnaval português, o das cegadas, dos trapalhões mascarados que enfarinhavam quem por perto se chegasse; dos entronchados que, brincando, pregavam partidas aos mais desprevenidos. Carnaval dos confetes, das fitas, das caraças, das salas de baile enfeitadas.
De sábado gordo a quarta-feira de cinzas, era o pandemónio.
Deitar os entrudos, na segunda-feira gorda, constituía o quadro mais hilariante e, por isso, mais esperado da aldeia.
Ti-António Francisco recolhia durante todo o ano os lapsos dos conterrâneos de quem se sabia uma atitude anedótica, uma farsa involuntária.
Naquela noite percorria as ruas da Louriceira levando atrás de si meia população arrastada pela graça natural desta figura popular.
- Estás a pé ou a cavalo? – gritava Ti-António Francisco, no seu altifalante – um funil de grandes dimensões – ao primeiro visado da noite.
- Vem à janela para ouvires uma gaitada! Berra a música, rapaziada!
E as tampas das panelas, os latões e os penicos, qual orquestra afinada, chamavam o farsante para a frente da multidão a fim de ser julgado e poder desculpar-se.
- Com que então, levantaste-te, ainda de noite, para odenhares a cabra e, só depois de muito espremeres sem resultado é que deste conta de que não era a cabra, era o bode!... Tens direito a uma gaitada! Berra a música, rapaziada!
E, assim, de casa em casa, de gargalhada em gargalhada, se esgotava a noite de 2ª feira gorda.
É certo que o riso não matava a fome mas matava a tristeza.

JLS

Gente de Outros Burgos...


Sobreira Formosa, Freguesia do Distrito de Castela Branco - Beira Baixa.
Burgo da "Ti Maria Lopes". Conheceu um amor Louriceirense nos anos de 40 na sua terra. Casou e veio viver com seu amor no burgo Louriceirense.
Faleceu na década de oitenta.

Memórias Louriceirenses...

As Gentes, os Costumes e os Locais...
Imagens da freguesia de Louriceira entre as décadas trinta e sessenta do século XX!